A importância da educação para o consumo

A educação para o consumo é um assunto muito abordado e de extrema importância. Muitos pais não fazem a menor ideia de como educar seus filhos para ser consumidores conscientes no futuro, porque eles mesmos nã tiveram essa orientação. A educação financeira não faz parte dos assuntos abordados nas escolas, por isso tantas pessoas são persuadidas pela publicidade abusiva, sem nem mesmo perceber.

Quando a criança é muito pequena, não nos preocupamos com essa questão, mas à medida em que ela cresce e assimila cada vez mais os hábitos familiares, alguns pais, percebe a necessidade de dar uma orientação, quando percebem que a criança está sendo muito influenciada pelos apelos comerciais. A educação para o consumo deve começar desde os primeiros anos de vida e a única forma de fazer isso é dando um bom exemplo. Afinal, uma criança educada em um ambiente consumista tem mais chances de ser consumista.

Todos nós precisamos consumir itens de primeira necessidade, mas o consumismo é uma ideologia baseada em ter sempre mais. O desejo de consumo domina a pessoa e se torna incontrolável. O hábito de consumir compulsivamente coisas das quais não precisamos se tornou uma das características culturais mais marcantes da sociedade atual.

 

Necessidade e desejo

Quando se fala em necessidade e desejo, até para um adulto, muitas vezes é difícil distinguir uma coisa da outra, quanto mais para uma criança. Uma criança pode entender que ter um determinado objeto é uma  necessidade  real, porque aquele objeto pode representar um meio de ela se inserir em um grupo.  Se a criança se sente aceita porque possui alguma coisa que todos têm e se sente bem com isso, então, para ela isso representa uma necessidade. A presença dos pais e o diálogo são essenciais para ajudar a criança a amadurecer e chegar à compreensão de que ninguém deve desejar uma coisa material para ser aceito por outras pessoas.

A maioria de nós já fez uma compra por impulso, sem ter pensado racionalmente antes de comprar. Isso porque a publicidade estuda o comportamento humano e detecta as motivações que leva uma pessoa a consumir. Isso é muito injusto para nós consumidores, que na correria do dia a dia, nem sempre prestamos atenção ao que nos motiva a fazer uma coisa. Se fizermos uma auto análise honesta, podemos diferenciar o que realmente necessitamos e o que apenas desejamos. Basta pensar nos sentimentos que nos move a comprar algo ou planejar uma compra. Quando se trata de uma necessidade, a falta desse objeto atrapalha o nosso dia a dia e depois que conseguimos comprá-lo, temos um sentimento de satisfação. Quando se trata de um mero desejo, buscamos desculpas para justificar a nós mesmos essa compra e quando adquirimos o objeto do desejo, temos um sentimento de vazio. Claro que não há problema nenhum em fazer uma compra para satisfazer um desejo de vez em quando. O problema é a freqüência com que consumismos por mero desejo. Precisamos ficar atentos aos nossos hábitos de consumo, para não cairmos nas armadilhas da publicidade.

 

 

Publicidade Infantil

Na cultura do consumismo, todos adotam o mesmo padrão de comportamento, e é claro, um desejo incessante de consumir. As pessoas acabam assumindo um mesmo estilo de vida, sem se questionar se aquilo é o que realmente querem fazer. Todos nós, adultos e crianças, estamos expostos às ações de marketing. Mas para as crianças isso é especialmente perigoso, porque o adulto pode desenvolver um senso crítico e filtrar essas informações. As propagandas pregam códigos de comportamento e valores que são disseminados pelas indústrias de bens, serviços e entretenimento. Os personagens fictícios ou reais do cinema e TV, atletas famosos, astros da música e outras celebridades, se tornam formadores de opinião e influenciam o público infantil. Esses personagens aparecem nos mais variados tipos de produtos destinados às crianças.  É papel dos pais filtrar um pouco essa exposição e orientar os filhos para também criar um senso crítico. Mas não é justo responsabilizar somente os pais. Zelar pela integridade física e intelectual das crianças é responsabilidade compartilhada por todos. Os pais precisam fazer sua parte, mas os anunciantes também precisam respeitar a criança. A maioria dos comerciais dirigidos ao público infantil usa técnicas abusivas de persuasão.

Na nossa sociedade o consumo é a regra e muitas pessoas acham normal possuir muito mais coisas do que necessitam, em nome do status. As propagandas associam aos produtos um valor muito maior do que estes realmente têm e quem possui estes produtos é considerado uma pessoa melhor em algum aspecto. As pessoas correm atrás dessa ideologia inconcientemente e levam as crianças junto. Na idolatria do consumo é preciso ganhar sempre mais, porque é preciso ter sempre mais. Essa ansiedade causa competição e cria sentimentos de inveja, tristeza e depressão.

Para o mercado, a criança é um consumidor em formação, que exerce forte influência nas decisões de compra da família. A criança ainda é imatura pra compreender as relações de consumo, por isso mesmo é o “alvo” mais fácil e sofre um verdadeiro bombardeio publicitário.

Segundo dados do Instituto Alana, já foi comprovado que essa publicidade pode levar as crianças a desenvolver hábitos prejudiciais ao bem-estar e ao desenvolvimento saudável, como obesidade infantil, erotização precoce, adultização da infância, violência, estresse familiar, diminuição das brincadeiras e consumo precoce de bebidas alcoólicas e tabaco.

O problema do consumismo infantil é mais grave e profundo do que se imagina e em muitos casos foge ao controle dos próprios pais. Na maioria das vezes se transfere a responsabilidade para a família, sem considerar que a criança é assediada pela puplicidade em todos os ambientes que frequenta, inclusive na escola. Pode-se dizer que esse é um problema de ordem ética, econômica e social.

 

O consumidor precoce

O problema da maioria das cidades é a carência de lugares públicos destinados ao lazer infantil. Muitas vezes essa falta de opção leva as famílias a locais fechados em busca de lazer. Por causa dessa carência, famílias levam seus filhos para brincar no shoping, por exemplo. Por volta de 2 anos de idade, a criança já é capaz de identificar marcas e produtos e ser influenciada por campanhas publicitárias.

As crianças expostas à ambientes comerciais com frequência, desde muito cedo assimilam rapidamente o conceito de comprar e passam a pedir aos pais para consumir os seus produtos preferidos. Esse é o primeiro indício de que a criança está  se tronando um consumidor precoce e deve soar como um sinal de alerta para os pais. Uma criança pode facilmente confundir o consumo com diversão, mas somos nós, pais, que devemos ajudar a criança a entender a diferença entre as duas coisas.

Embora fazer compras possa vir a ser um programa divertido, sair para comprar alguma coisa é diferente de sair para se divertir em um parque, por exemplo. O ideal é reduzir as idas aos centros comerciais, para ocasiões de extrema necessidade, ou mesmo evitar. O problema do shoping é que tudo apela para o consumo, tudo o que está nele vendido e o que é oferecido gratuitamente está sendo padrocinado por alguma marca.

Mas não tem como isolar totalmente uma criança das atividades quotidianas da família e como a criança age por imitação, ela quer fazer tudo o que os adultos fazem. Na maioria das vezes, é impossível para os pais, fazer uma compra sem levar a criança junto. Nesse caso, os pais podem envolver a criança nessa atividade e fazer disso uma oportunidade para a educação.  Uma boa estratégia é fazer uma espécie de ritual antes de ir ao supermercado, checando com ela os armários e a geladeira, para ver o que está faltando e que precisa ser comprado. A ida ao supermercado pode ser uma oportunidade de ensinar que devemos comprar o que precisamos e nem sempre podemos comprar tudo o que desejamos. Fazer uma lista de compras e comprar somente os itens que estão nessa lista, pode ser um bom aprendizado para o autocontrole.

Nos supermercados, as crianças são atraídas por produtos com personagens infantis e embalagens chamativas. A maioria dos alimentos para crianças, por incrível que pareça, são os menos saudáveis, com altos teores de sódio, gorduras trans e saturadas e açúcar. Fazer uma boa educação alimentar em casa, oferecendo alimentos saudáveis desde cedo, é essencial para apurar o paladar da criança para esses alimentos. Com uma boa educação alimentar, se torna mais fácil argumentar com a criança e ensiná-la que os alimentos industrializados não fazem bem à saúde e devem ser consumidos com moderação.

Qualquer criança que vê as embalagens coloridas com personagens, vai desejar consumir esses alimentos, mas ela já sabe que aquilo não é permitido e entende o motivo disso, pode aceitar com mais facilidade.  Educar não é uma tarefa fácil, o importante é que os pais façam um esforço para manter o mesmo discurso.

 

De onde vem o dinheiro?

De onde vem o dinheiro? Essa é uma boa pergunta para fazer para as crianças e ajudá-las a entender isso desde cedo. Crianças pequenas podem acreditar que o dinheiro é ilimitado e que não precisamos fazer nada para tê-lo. Por isso precisamos explicar de onde vem o dinheiro, que temos que trabalhar para receber um salário e que este não é ilimitado. É fundamental explicar para elas que, tanto o caixa eletrônico quanto os cartões, “guardam” o dinheiro que ganhamos trabalhando. Além disso é preciso ensinar que os produtos têm valores diferentes e pode ser que tenhamos que esperar algum tempo para conseguir comprar algo. Tudo isso tem que ser explicado de forma muito simples.

É importante ensinar à criança que ganhamos dinheiro trabalhando e que o dinheiro deve ser destinado à comprar as coisas de que precisamos. Procurar falar com uma linguagem simples que a criança entenda, faz toda a diferença. Brincar de fazer compras com a criança ajuda a dar noção de valores.

 

Filtrando a publicidade

Filtrar as propagandas traz bons resultados, uma vez que a criança fica menos exposta aos apelos da publicidade. A família pode reduzir o tempo em que a criança assiste TV aberta, optando pela contratação de serviços de streaming de vídeos, que tem a vantagem de oferecer um catálogo de filmes e séries, que os adultos podem controla, e o que é melhor, sem ter que assistir propagandas. Esses serviços oferecem aos pais a opção de bloqueio, que podem criar um usuário com permissão apenas para conteúdo infantil.

Na internet, existem extensões que filtram propagandas para o navegador, que serve para remover todas as propagandas de todos os sites. Esse tipo de extensão proporciona controle da internet sem ter que ver banners e vídeos de propaganda enquanto navegamos na internet. Além de fazer o navegador ficar mais rápido, ajuda bastante na questão de segurança.

A criança ainda não tem maturidade para entender questões muito complicadas como o consumo, mas assimila tudo muito rápido. Se os pais não estiverem presentes, podem não perceber que o filho está desenvolvendo conceitos distorcidos de consumo. Por outro lado, as crianças respondem muito bem quando conversamos com elas e valorizamos a sua opinião. Sempre é possível chegar a um meio termo e fazer acordos. Dentro das possibilidades, podemos satisfazer a alguns de seus desejos, mas estabelecer limites pode ser determinante. Quem sabe dar algum brinquedo ou outro produto do personagem preferido. É importante sempre repetir para a criança que o mais importante não é o que se tem, e que não precisamos ter alguma coisa só porque outras pessoas têm.  Sempre terá algo que não temos e que não precisamos ter e isso não nos torna inferiores a ninguém. Aos poucos e com paciência, podemos preparar a criança para ser uma consumidora consciente no futuro.

A criança é por natureza questionadora, criativa e tem a capacidade de pensar de maneiras diferentes. Se isso for preservado, ela sempre terá essa capacidade de questionar o mundo com um olhar crítico. A melhor maneira de fazer isso é sermos nós mesmos questionadores e críticos. Se quisermos que nossos filhos sejam consumidores conscientes, temos que constantemente rever os nossos conceitos, refletir honestamente sobre o nosso próprio comportamento e se preciso, fazer um esforço para adquirir novos hábitos. Fazer uma análise crítica da nossa própria situação financeira e hábitos de consumo é o primeiro passo para dar um bom exemplo.

 

Algumas metas

A maioria dos pais vivenciam um sentimento de desamparo com relação a alguns aspectos da educação dos filhos, porque algumas coisas não dependem só dos adultos. Não existem muitos projetos educativos para apoiar as famílias e os que existem não são muito divulgados, apesar de ser fantásticos (veja links no final do post).

A educação de uma criança é construida ao longo dos anos do seu desenvolvimento. Criar uma cultura de não consumismo é dar uma infância mais livre para nossos filhos. Confira abaixo algumas metas que podem ser seguidas pelos pais. Algumas podem ser praticadas desde cedo, outras quando a criança estiver um pouco maior.

  1. Falar da importância de não desperdiçar e cuidar do dinheiro.
  2. Ensinr a controlar o consumo por impulso, mostrando como elaborar uma lista de compras e obedecê-la.
  3. Explicar que tipo de trabalho realizamos para ajudará-la a estabelecer relação entre ganho de dinheiro e os limites de seu uso.
  4. Mostrar as diferenças entre coisas “caras” e “baratas” em diferentes ambientes e racioanlizar qual o melhor custo benefício de diferentes produtos;
  5. Assumir as próprias deficiências com relação ao dinheiro, usar o bom senso e não dar lições de moral.
  6. Deixar a criança participar do orçamento doméstico, incentivando-a a dar sugestões sobre modos de reduzir despesas.
  7. Ajudar a criança a tomar decisões e fazer escolhas, mesmo que em pequena escala.
  8. Ensinar que cometer erros é normal, mas devemos aprender com eles.
  9. Reforçar a idéia de que a responsabilidade social e a ética devem estar sempre presentes no ganho e no uso do dinheiro.

Assista abaixo ao documentário da produtora MARIA FARINHA FILMES, sobre a realidade da publicidade infantil no Brasil.

Saiba mais:

Consumismo Infantil

http://institutoalana.org.br

http://www.commercialfreechildhood.org/about-ccfc

 

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