RESPEITO À INFÂNCIA

Pediatrias lançam manual sobre os benefícios da natureza no desenvolvimento infantil

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou nesta semana o Manual de Orientação “Benefícios da Natureza no Desenvolvimento de Crianças e Adolescentes”. O documento foi realizado em conjunto pela Sociedade Brasileira de Pediatria e Instituto Alana, elaborado pelo programa Criança e Natureza, a publicação tem como objetivo fornecer orientações para pediatras, educadores e famílias sobre a importância do convívio junto ao meio ambiente para a saúde e bem-estar da população pediátrica.

O texto apresenta materiais de apoio para auxiliar a população na construção de hábitos mais próximos à natureza.

O documento foi produzido sob coordenação de Laís Fleury (Instituto Alana) e Luciana Rodrigues Silva (SBP). A organização do texto foi de responsabilidade de Maria Isabel Amando de Barros (Instituto Alana) e os autores Daniel Becker; Dirceu Solé; Emmalie Ting; Evelyn Eisenstein; José Martins Filho; Laís Fleury; Luciana Rodrigues Silva; Maria Isabel Amando de Barros; Ricardo Ghelman; e Virginia Resende Silva Weffort. O texto contou ainda com a colaboração de Liubiana Arantes de Araújo e Ricardo do Rego Barros, e revisão de Regina Cury (Metatexto).

Prejuízos causados pelo confinamento

O manual descreve os diversos benefícios do convívio com a natureza não só para crianças, adolescentes, como também para adultos. Vivemos um momento histórico em que nos afastamos cada vez mais da natureza e nos confinamos a espaços fechados e isolados, o que traz consequências.

De acordo com a presidente da SBP, Dra. Luciana Rodrigues Silva, apesar da literatura médica já reconhecer os benefícios obtidos através do contato com a natureza. Brincadeiras, atividades de lazer e aprendizado ao ar livre, são um direito universal que está cada vez menos acessível para a população nas cidades brasileiras. Para a pediatra, é necessário refletir sobre o modo de vida que tem sido proporcionado às crianças. Ela alerta:

“Existem diversos avanços relacionados à infância e adolescência no Brasil, como o aumento da escolaridade e o combate à exploração do trabalho infantil. No entanto, não podemos deixar de considerar que os efeitos da urbanização, entre eles, o distanciamento da natureza, a redução das áreas naturais, a poluição ambiental, bem como a falta de segurança e de qualidade nos espaços públicos ao ar livre, levam a população a passar a mais tempo em ambientes fechados e isolados”

O Manual de Orientação da SBP aponta diferentes fatores que contribuem para o confinamento das famílias a ambientes internos:

  • A atual dinâmica familiar;
  • A falta de planejamento e mobilidade urbana;
  • O excesso do uso de equipamentos eletrônicos;
  • O consumismo;
  • A violência e a sensação de insegurança;
  • A precária conservação da natureza.

Segundo o documento, um amplo conjunto de pesquisas apontam que alguns problemas de saúde entre crianças e adolescentes  estão relacionados à falta de oportunidades de brincar e aprender junto à natureza, como:

  • Obesidade;
  • Baixa imunidade;
  • Hiperatividade;
  • Baixa motricidade;
  • Falta de equilíbrio;
  • Pouca habilidade física;
  • Miopia;
  • Doenças cardiovasculares;
  • Infecções ;
  • Alergias;
  • Distúrbios do comportamento;
  • Síndrome metabólica;
  • Consumismo.

Benefícios do contato com a natureza

Evidências científicas demonstram que o convívio com a natureza, desde a infância, melhora o controle de doenças crônicas e diminui o risco de dependência ao álcool e a outras drogas. Além disso, favorece o desenvolvimento neuropsicomotor, reduz os problemas de comportamento, proporciona bem-estar mental, equilibrando os níveis de vitamina D. Com esses benefícios, as visitas ao médico diminuem significativamente. A publicação també enfatiza que::

“O contato com a natureza ajuda também a fomentar a criatividade, a iniciativa, a autoconfiança, a capacidade de escolha, de tomar decisões e resolver problemas, o que por sua vez contribui para o desenvolvimento de múltiplas linguagens e a melhora da coordenação psicomotora”

O manual descreve, com evidências científicas, como a natureza e o livre brincar neste ambiente, melhora todos os marcos mais importantes de uma infância saudável, como

  • Imunidade;
  • Memória;
  • Sono;
  • Capacidade de aprendizado;
  • Humor;
  • Sociabilidade;
  • Capacidade física, entre outros.

 

Mundo digital

Atualmente crianças, adolescentes e seus responsáveis passam boa parte do tempo imersos no mundo digital, em exposição crescente a publicidade e conteúdos tóxicos, violentos ou inadequados. Esses hábitos podem produzir efeitosnegativos na convivência e na saúde física e mental.

Além disso, há o fenômeno moderno da perda de contato com o mundo real e com as relações presenciais. Os impactos do confinamento e da falta de contato com áreas verdes e o meio-ambiente são mais agudos em localidades densamente habitadas e com alta vulnerabilidade social.

Recomendações

Alinhado com um movimento mundial que advoga por uma infância mais rica em natureza, o manual ele traz recomendações para pediatras, famílias, educadores, gestores, e também para crianças e adolescentes. Contêm muito material de apoio e recursos e até um modelo de receita para pediatras.

A SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) faz um chamado à sociedade pela volta da criança à natureza, uma importante aliada contra os grandes males da infância de hoje, e fundamental para a saúde do planeta.

A publicação deixa claro que assim como as crianças e adolescentes precisam da natureza, a natureza precisa das crianças e jovens. Crianças brincando na rua e em ambientes naturais e famílias utilizando os espaços públicos são hoje medidas de qualidade de vida urbana e uma das formas mais potentes de formarmos cidadãos saudáveis, que valorizam o respeito a todos os seres vivos.

  • A SBP reuniu uma série de orientações para auxiliar pediatras, educadores e famílias na missão de reconectar crianças e adolescentes com a natureza:
  • Aconselhar e recomendar o acesso diário a no mínimo uma hora de atividades em contato com a natureza, seja para brincar, aprender ou conviver em contato com o meio-ambiente.
  • As escolas e instituições de cuidados devem organizar suas rotinas e práticas de forma a equilibrar o tempo destinado às atividades curriculares com o tempo livre (recreio), a fim de permitir que as crianças e os adolescentes tenham amplas oportunidades de estar ao ar livre.
  • O poder público deve garantir que todas as crianças e adolescentes tenham acesso a áreas naturais, seguras e bem mantidas, a uma distância inferior a 2 km de suas residências.
  • Os adultos devem compartilhar seu apreço pela natureza e pelas atividades de lazer ao ar livre pautadas pelas relações, pelos encontros, pelo movimento e também pela contemplação e momentos de relaxamento.
  • As crianças e adolescentes devem ser orientados a buscarem o equilíbrio no qual tanto o uso da tecnologia como a conexão com o mundo natural prosperem de forma benéfica.

 

Conheça mais:

Instituto Alana: https://alana.org.br/project/crianca-e-natureza/

Programa Criança e Natureza: https://criancaenatureza.org.br/

 

Acesse o manual clicando AQUI

Tânia Neiva

Oi! Eu sou Tânia Neiva! Sou Designer Moda e especialista em Metodologia do Ensino de Artes e Música. Neste espaço, escrevo sobre Arte Educação e Sustentabilidade. Sou mãe da Julia de 5 anos e criei o It's a Girl para inspirar e incentivar uma infância mais plena e livre para todas as crianças, principalmente para as meninas! Porque acredito que toda menina tem o direito de sonhar e ser livre!

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