Levar ou não os filhos ao shopping?

As férias chegaram e  de repente você se vê com a missão de preencher o dia do seu filho com atividades interessantes pra que a criança não fique tão entediada e ao mesmo tempo manter o mínimo de rotina. Muitos pais se vêem nessa situação no período de férias e por conveniência, acabam parando no shopping. Mas existe toda uma polêmica em se levar as crianças para passear no shopping, por causa do apelo constante ao consumo. A pergunta “levar ou não meu filho ao shopping”, pode ficar ecoando na cabeça dos pais. Mas será que levar eveltualmente uma criança ao shoping a torna consumista?

Já li um artigo que diz que as famílias levam as crianças pra passar horas “fechadas num shopping vendo vitrine, andando por corredores de lojas e aprendendo que consumo é sinônimo de diversão, de lazer”. O artigo  também dizia que “criança dentro do shopping não pode correr, não pode rolar no chão, não pode gritar, não pode um monte de coisas”, por isso fica estafada de não fazer nada e dá piti, aí os pais compram um brinquedo e um doce e resolvem tudo. Concordo em parte, porém o artigo também tem um quê de exagero. Na nossa realidade, não é bem assim. Nós fazemos questão de dar liberdade pra Julia ser espontânea, como uma criança deve ser e se em algum lugar a gente receber reclamação por isso, pode ter certeza de que não voltamos mais nesse lugar.

O consumismo e as birras infantis

Com relação ao consumo, no nosso caso, nós já tivemos sérios problemas em levar a Julia ao shopping, à padaria, à farmácia, ao mercadinho, à praça, ao calçadão e à qualquer lugar que se pudesse comprar algo. Nessa época ela tinha dois anos e foi a fase em que ela descobriu que podia comprar coisas e queria comprar tudo que via pelo caminho, fazendo piti por qualquer motivo. Foi uma fase bem difícil, em que nós realmente evitávamos ir ao shopping com ela. Com muita paciência e perseverança, fomos explicando que não podemos comprar tudo e desde então, criamos o hábito de antes de sair de casa, combinar o que vamos ou não comprar. Aos poucos ela foi entendendo e as crises de choro foram diminuindo. Hoje, vamos ao shopping sempre que precisamos e aproveitamos pra deixar a Julia brincar um pouco no parquinho, algo que ela adora. Mas quando ela quer algo que não podemos ou simplesmente não queremos comprar, explicamos e ela entende.

Quanto aos pitis, toda criança tem a sua fase de dar piti, esteja ela no shopping ou não. Já enfrentei um piti da Julia no meio da Praça da Flores aqui em Fortaleza, um lugar lindo, cheio de natureza e com um parquinho ao ar livre, o que prova que o piti é uma fase normal de toda criança passa. O artigo diz que os pais compram coisas para seus filhos no shoping, para a criança parar de chorar e isso promove o consumismo. Concordo em parte, mas o mesmo acontece na praça, no parque e em qualquer outro lugar.  Sem dúvida, no shopping, o apelo ao consumo é infinitamente maior do que na pracinha, mas não que dizer que em outros lugares não haja apelo ao consumo também.  A praça e o parque também vende pipoca, picolé,  balão, revistinha de personagem na banca, bolinha pula-pula, Pokébola, etc. Portanto, a educação para o consumo deve ser considerada em qualquer lugar que se leve as crianças, não só no shopping.

Será que é exagero?

O artigo continua dizendo que criança deveria estar com a família na praça ou no parque e eu concordo plenamente, tanto que 90% dos passeios que fazemos com a Julia é ao ar livre. Porém, a vida adulta nos obriga a fazer coisas de adulto e isso envolve ir ao shopping de vez em quando, porque o shopping é um lugar seguro pra estacionar o carro, fazer as compras, resolver pendências do dia-a-dia e ainda deixar o filho no parquinho enquanto vai pegar aquela fila chata. Pra quem não tem babá de plantão ou parente disponível, isso é uma regalia e tanto.

O artigo que citei também diazia que é preciso que os pais façam escolhas mais equilibradas e com essa afirmação eu concordo plenamente,  porque acho que a vida precisa de equilíbrio em tudo. Muita coisa mudou na educação infantil e isso é um fato pra se comemorar. Acontece que muitas pessoas estão cercando a infância de tantas regras rígidas, que estão chegando ao outro extremo, de uma educação engessada, presa demais ao que é e o que não é correto. Se pretendermos criar uma criança que NUNCA vai ao shopping, que NUNCA come um doce, que NUNCA faz nada que seja incorreto na visão dos pais, temos que assumir a culpa de que essa criança em algum momento vai se sentir estranha por nunca na vida ter feito coisas que todas as pessoas normais fazem. Ensinar o seu filho a não ser influenciável é uma coisa boa, porém, fazer do ser filho o diferentão pode trazer sérias dificuldades sociais à criança que não pode fazer nada que as outras crianças fazem.

Eu não sou de forma nenhuma defensora do consumismo, da má alimentação ou de qualquer excesso, mas também acho que o exagero pode tornar a educação de uma criança sufocante. Aqui, adotamos a seguinte postura: pode SIM comer doce, só quando for à uma festinha de aniversário, podem SIM, ir so shopping, quando papai e mamãe precisarem ir ao shopping. Aqui o que NÃO PODE é tratar mal as pessoas, julgar quem é diferente, jogar lixo na rua, aceitar doces de pessoas estranhas, bater nos amiguinhos  e coisas que interferem na formação humana e no caráter.

O que eu vejo hoje, é uma boa dose de exagero de algumas pessoas em cercar a educação das crianças de regras rígidas. O quarto, tem que ser Montessoriano, a introdução alimentar tem que ser BLW, a comida tem que ser vegana, bebê tem que estar no sling, e por aí vai. Eu não tenho nada contra essas escolhas, mas, porque não misturar tudo e tirar o melhor de cada coisa?

Aqui, nós não usamos o método Montessoriano, mas sempre fizemos o possível para dar o máximo de autonomia à Julia; A introdução alimentar da Julia, foi BLW em alguns momentos e em outros, foi tradicional, afinal, nenhuma mãe tem tempo suficiente todos os dias pra esperar o seu filho fazer uma refeição sozinho durante 3 horas; Aqui não seguimos nenhuma regra alimentar rígida, mas cultivamos o hábito de ter sempre comida saudável em casa; A Julia sempre detestou o sling de todo o coração, e logo eu desisti da ideia, mas nem por isso ela deixou de ter colo e carinho. O que eu quero dizer com tudo isso, é que na prática, acabamos descobrindo que na educação de uma criança é preciso seguir duas regras essenciais: bom senso e equilíbrio. Isso serve também para a polêmica de levar ou não o seu filho ao shopping.

Qual a sua opinião sobre esse assunto? Deixe o seu comentário para enriquecer mais esse post! Contribuindo com a sua experiência, você ajuda a melhorar ainda mais a educação dos nossos filhos!

No vídeo abaixo do nosso Canal do Youtube, você vai acompanhar uma de nossas idas ao shopping, quando precisamos resolver algumas coisas e o shopping era a opção mais conveniente. Enquanto o Elton foi fazer umas compras a Julia se divertiu à valer no parquinho, depois saboreou um sorvete de baunilha e foi pra casa feliz da vida.

 

 

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