A missão desafiadora da maternidade

Na fase de adaptação da Julia na escolinha, conheci outras mães e fiz novas amizades, o me fez pensar em muitas coisas. A realidade de cada mãe é diferente, mas não importa se a mulher é mãe em tempo integral ou trabalha fora, a maternidade traz muitas mudanças, desequilibrando alguns aspectos e compensando outros. Conheci mães que trabalham fora e têm que fazer mil arranjos para dar conta de tudo, conheci mães que optaram por se dedicar somente à maternidade e adiar um pouco a volta ao trabalho formal, outras acabaram unindo as duas coisas e se dividindo entre a dedicação com o filho e o trabalho em casa.

Dedicar-se aos cuidados de uma criança ou tentar ajustar as atividades profissionais à maternidade são decisões muito complexas e que exigem os seus sacrifícios. São decisões tão difíceis que só quem vive sabe das dificuldades e dilemas que precisa enfrentar no dia a dia. Conheci uma mãe que precisa trabalhar e sente frustrada por não poder levar a filha na escola e só conseguir passar algumas horas à noite com ela depois que chega do trabalho. Outras mães, esperam que os filhos se tornem mais independentes para retomar projetos profissionais e pessoais que deixaram de lado. O pior de tudo é lidar com as expectativas das pessoas em relação ao que nós deveríamos ou não fazer.

A maternidade pode ser a maior realização da vida de uma mulher, mas algumas mulheres escolhem outros caminhos e têm todo direito a isso. Mas as sociedade com suas expectativas, julga as mulheres que têm filhos e trabalham fora, julgam as mulheres que se dedicam aos seus filhos em tempo integral e julgam também as mulheres que optam por não ter filhos. Em meio a tantos julgamentos, nenhuma mulher é totalmente aceita e respeitada pela sua decisão.

Algumas mulheres, sentem um imenso vazio ao ter que deixar o filho para voltar a trabalhar, outras sentem falta do trabalho e querem voltar logo a vida profissional. Essa decisão é pessoal, delicada e depende da história de vida de cada mulher. No meu caso, eu abri mão do trabalho e de algumas conquistas sociais, para ficar o máximo de tempo em casa cuidando pessoalmente da Julia. Não vou dizer que eu tinha certeza de que essa era a melhor decisão, mas as circunstâncias me conduziram a isso e foi o que melhor funcionou para mim.

Sobre isso, algumas verdades precisam ser ditas. A primeira, é que ficar por um tempo fora do mercado de trabalho formal, não significa que deixamos de trabalhar, porque uma mãe trabalha muito, 24 horas por ida, sem folga nem férias. É preciso que se diga que ao ser mãe, a mulher é excluída de muitos espaços, principalmente o profissional. O que não se fala também é que muitas mulheres que conseguem voltar logo ao trabalho passam a ser mais cobradas e ter menos privilégios profissionais por ser mães.

A mãe que sai pra trabalhar continua integralmente mãe, porque o vínculo emocional não se desfaz. Ela sofre porque tem que terceirizar a função de cuidar da criança e busca formas de compensar a sua ausência. A mãe que cuida do filho em tempo integral não é melhor só pelo fato de não sair pra trabalhar todo dia e não é incompetente profissionalmente só porque deu uma pausa no trabalho. Ela também sofre frustrações, precisa ser criativa e paciente para buscar formas de se manter ativa profissionalmente. Mas nenhuma mãe é vista assim quando sai na rua, nenhuma mãe é compreendida pelas suas escolhas, nenhuma mãe tem o seu esforço reconhecido diante dos olhares que julgam. Tudo o que uma mulher faz parece que se torna invisível numa sociedade que nunca está satisfeita.

Passar o dia com um bebê, seguindo uma rotina de cuidados ou sair todo dia para trabalhar de manhã e voltar no final do dia são trabalhos igualmente exaustivos. As mulheres deveriam ser mais respeitadas com as suas diferenças e pelas suas escolhas. Na nobre missão de criar um filho e torná-lo uma pessoa boa e íntegra, não deveria ter espaço para tanto julgamento como se fosse um concurso absurdo para escolher a melhor e mais dedicada mãe.

Toda mãe é mãe integralmente, porque trabalha pelo bem do seu filho a vida inteira. Criar filhos é um trabalho de 24 horas que nunca é totalmente concluído. Felizmente toda mulher quando se torna mãe, experimenta uma força que nunca tinha sentido antes, com a sensação de que pode enfrentar tudo pelo seu filho e é essa força que nos faz seguir em frente passando por tudo e suportando todos os julgamentos.

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