O período de adaptação da Julia na escolinha – Parte 2

A adaptação à escola é um marco no desenvolvimento de uma criança, que envolve muitas emoções, gerando insegurança tanto nas crianças, quanto nos pais. Esse processo é mais fácil crianças maiores, que já sabem se expressar, conseguem argumentar e tendem a se adaptar melhor a mudanças de rotina. Segundo os psicólogos, o ideal é que a criança comece na escolinha depois dos 3 anos e se possível, só por meio período. Apesar de ser difícil abrir mão de trabalhar fora por tanto tempo, eu preferi esperar essa fase para colocar a Julia na escola.

Acredito que apesar de ela já ser bem independente em vários aspectos, ainda é muito importante manter um contato maior com  os pais e principalmente, a mãe nessa fase. Optamos pelo meio período para manter a rotina que ela já está acostumada, mantendo o soninho da tarde e as nossas refeições em família.

A importância da adaptação

Por incrível que pareça, algumas escolas não planejam o período de adaptação, argumentando que toda criança se acostuma com a escola, porque geralmente ela para de chorar depois de algum tempo. Mas na verdade, a criança para de chorar porque é vencida pelo cansaço, não porque se adaptou bem. Em alguns casos, a criança pode apresentar rejeição depois de alguns meses, voltando a chorar e se negando a ir à escola.

O período de adaptação é importante para toda criança na educação infantil. Embora o ideal seja colocar a criança na escola após os 3 anos de idade, algumas mães não têm outra opção e precisam levar o filho muito cedo para a creche. Nesse caso a adaptação pode ser mais difícil tanto para a criança como para a mãe, mas se for bem orientada, pode ser muito bem sucedida. O importante é ter paciência e respeitar o tempo da criança, para que ela se sinta segura.

Buscamos uma escola que faz esta adaptação de maneira progressiva, para que isso repercuta positivamente na vida dela. Desde o início, queremos que a Julia se adapte à escola, que goste realmente de estar lá e não que se conforme à isso.

Eu simplesmente amei o período de adaptação dá Julia. Todos da escola são muito atenciosos, respeitam o tempo de cada criança, deixam levar o brinquedo preferido e permitem a permanência dos pais o tempo que for necessário. Já na reunião de pais, recebemos um questionário de 3 páginas sobre detalhes do desenvolvimento da criança, hábitos e preferências, para ser analisado pela psicóloga da escola e facilitar o acompanhamento. Isso me deixou muito tranquila e satisfeita, ao saber que há uma preocupação em fazer da escola uma extensão da rotina que a criança já tem em casa. Nesse post eu como foi a adaptação da Julia na escola e as minhas impressões sobre esse processo.

Primeiro dia

Depois de uma semana de expectativa, acordamos a Julia mais cedo para tomar café e se arrumar. Ela já conhecia a escola e por isso já sabia para onde ia. Essa é uma das vantagens de levar a criança quando for visitar a escolinha.
No primeiro dia ela estava super empolgada, entrou correndo, foi super receptiva com as professoras e as outras crianças, se mostrando bem à vontade e segura.
Como foi o primeiro dia, eu entrei com ela e a deixei à vontade para que explorasse a escola e brincasse no parquinho. Depois de algum tempo, a convidei para entrar na sala para conhecer as professoras e os coleguinhas. Ela fez algumas atividades de recreação com a supervisão das professoras e depois lanchou com as outras crianças.
Eu permaneci o tempo no pátio da escola, em frente à sala, em um local onde a Julia podia ver que eu estava lá. Depois da hora do lanche as crianças foram liberadas, mas a Julia não queria sair da escola e eu acabei ficando pra ela brincar um pouco mais.

Segundo dia

No segundo dia, o tempo de permanência foi um pouco maior, com uma atividade de musicalização depois do lanche. Eu continuei acompanhando tudo do pátio da escola. Como ela parecia estar à vontade, me mantive o mais neutra possível, só observando de longe. Após o lanche, na atividade de musicalização, testei ficar mais longe, para que ela não me visse. Ela reagiu bem e não chegou a me procurar.

Claro que tudo ainda era muito novo e ela estava entusiasmada, se divertindo com os novos amiguinhos, com os novos brinquedos e brincadeiras. A psicóloga da escola me explicou que para considerar que a criança está adaptada, tem que deixar passar os primeiros dias, em que tudo é novidade.

Terceiro dia

No terceiro dia deixei a Julia na sala e fiquei um pouco mais longe, na recepção da escola, de maneira que ela não pudesse me ver. Mas antes de sair, falei com ela e expliquei que eu estaria lá fora para se ela precisasse de mim.

Além das atividades de recreação, as crianças fizeram atividades em sala, lancharam e fizeram higiene bucal. A Julia acompanhou bem todas as atividades e não me procurou. Isso é um bom sinal e significa que a criança já confia nas professoras e se sente à vontade no novo ambiente.

Quarto dia

No quarto dia eu já deixei a Julia na sala e aproveitei para comprar alguns materiais escolares que faltavam. A professora me me tranquilizou de que caso ela ficasse insegura, ela ligaria pra mim. As crianças permaneceram na escola o a manhã toda, até as 11:30h.

Mas até então, a Julia ainda estava muito empolgada com a escola e até dá piti pra não voltar pra casa. Por essa eu não esperava, mas devia ter desconfiado. Desde muito pequena ela sempre chorou na hora de encerrar os passeios e voltar pra casa. Pra ela a escola é como se fosse um passeio, afinal, ela brinca com outras crianças e faz atividades interessantes e divertidas. Pedi à professora que explicasse que todas as crianças vão para casa e voltam no dia seguinte. Quando fui buscá-la, ela entendeu melhor que tinha que ir para casa e voltaria no dia seguinte.

Quinto dia

No quinto dia, as crianças ficaram novamente toda a manhã, sem os pais presentes. Novamente eu deixei a Julia na sala e saí. Quando fui buscá-la, a professora disse que ela chorou um pouco depois que eu saí.

Algumas crianças aceitam bem a escola nos primeiros dias, pela novidade, mas podem apresentar resistência dias depois. A escola já não é mais uma novidade e começou a se estabelecer uma rotina, então ela começou a sentir mais a minha ausência.  Quando fui buscá-la ela me abrçou mais forte e se mostrou mais carente. Nesse dia eu dei mais atenção e passei mais tempo com ela à tarde, para compensar.

Sexto dia

No sexto dia, seguimos a rotina e a Julia já não apresentou muita resistência. Ela estava muito empolgada porque era o primeiro dia de natação. Ela estava muito ansiosa e não largava a touca de natação e as boias novas que eu tinha comprado.

Foi o primeiro dia que eu deixei a Julia na escola e fui para casa. Eu também tô me adaptando à nova rotina de ficar a manhã toda longe dela. Fiquei a manhã toda super ansiosa, pensando em como ela estaria se comportante e como seria a primeira aula de natação.

Para segurar a minha ansiedade, estou aproveitando pra resolver várias pendências que eu adiava há tempos, programar os meus horários e terminar de organizar o material da escola.

Sétimo dia

Depois de uma semana de aula, começamos uma nova semana, tentando estabelecer a rotina de acordar cedo, tomar café da manhã e ir para a escola. Mas novamente a Julia apresentou resistência e acordou dizendo que não queria ir para a escola. Nesse dia ela deu mais trabalho para fazer tudo e nos atrasamos bastante. Como de costume, a deixei na escola e fui para casa. quando fui buscá-la, a professora disse que ela chorou e fez birra, jogando os brinquedos para fora da sala. Essa era uma reação esperada, já que a gora ela está se adaptando à rotina da escola.

Nessa fase da adaptação, é muito importante que a criança expresse a sua frustração. A orientação que eu tive foi de dar muita atenção à ela em casa e conversar bastante com ela sobre a escola. Aos poucos a criança vai entendendo que a escola é uma coisa boa e não está sendo abandonada. Todos os dias nós perguntamos para ela o que ela fez na escola e sempre relembrados que lá ela vai aprender muitas coisas interessantes, fazer muitos amigos e se divertir.

Um mês depois

Depois de mais de um mês depois do início das aulas, a Julinha começou a se recusar a ir pra escola. Ela tá dando um show pra não entrar na sala de aula. A psicóloga da escola já havia avisado que isso pode acontecer.
Principalmente porque ela vivenciou a experiência de ficar vários dias sem ir pra escola no primeiro feriado longo, que foi o Carnaval.
Se até para nós adultos é difícil voltar à rotina depois de um feriado prolongado, imagina pra uma criança que está começando a se acostumar com essa rotina agora!
A professora disse pra voltar pra buscá-la mais cedo e me tranquilizou. Tudo isso é super normal e pode acontecer com qualquer criança, em qualquer período do ano letivo. A gente começou a fazer tudo como no início, pra ela se sentir mais segura.

Uma seguidora me sugeriu deixar algum objeto pessoal meu com ela, como se fosse uma promessa de que vamos voltar para buscá-la na escola. Tentei fazer isso com a as bonecas Peppa Pig e a Mamãe Pig, deixando a Peppa com a Julia e levando a Mamãe Pig comigo, dizendo que nós duas, eu e mamãe Pig, voltaríamos para buscá-las mais tarde. Na verdade, a Julia não aderiu muito à brincadeira em si. Mas isso acabou gerando outras brincadeiras em casa, dentro do tema. Assim eu consegui trabalhar com ela através dessas brincadeiras, a ideia de que a escola é um lugar bacana e divertido e que os pais deixam os filhos, mas voltam logo para buscá-los. Outra coisa que mudou e ela curtiu muito é que agora o papai está indo deixá-la e eu estou indo buscá-la. Está fazendo uma grande diferença e estamos felizes que finalmente ela já está se sentindo mais segura.

Cada fase tem suas particularidades e seus desafios. Ser mãe é compreender, se colocar no lugar do filho, ser paciente e se reinventar a cada dia. Tenho certeza que essa fase logo vai passar.

Dicas para garantir o sucesso da adaptação

  • O ideal é que nos primeiros dias a escola permita que a criança leve algum brinquedo ou outra naninha de sua preferência, para ajudá-la a se sentir segura;
  • Sempre buscar a criança no horário de saída e nunca se atrasar para que a criança não se sinta mais abandonada, ainda. (Aliás, isso serve para todas as crianças, mesmo as já adaptadas);
  • Compensar a ausência tentando passar o máximo de tempo possível com ela depois da chegada da escola, contando estórias, brincando com seus brinquedos preferidos, etc;
  • Colocá-la para dormir passando algum tempo com ela conversando, cantando, lendo estórias;
  • Evitando passar essa tarefa para o pai, pois nessa idade a criança precisa da presença da mãe.

Leia também: O período de adaptação da Julia na escolinha – Parte 1



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