Desfralde na vida real

Como eu prometi, aqui está o post em que eu conto a nossa experiência com o desfralde da Julia. No início nós achamos que seria fácil, mas nos deparamos com muitos obstáculos, até ter sucesso. As recomendações são muitas e na teoria tudo funciona, mas quando chega a prática, a gente pode se surpreender com dificuldades inesperadas.

 

Preparação

A idade mais recomendada para iniciar o desfralde é a partir dos 2 anos e nós começamos quando a Julia tinha 2 anos e meio. Nós estávamos nos organizando para se mudar e por isso deixamos pra começar  um pouco mais tarde para deixar passar esse período de transição. Nessa época os hábitos da Julia já eram bem definidos. Eu estava bem confiante e planejei tudo na minha cabeça de mãe de primeira viagem. Pra mim, não tinha o que dar errado, os horários eram previsíveis, a Julia já tinha coordenação suficiente e já se comunicava bem com a gente.

 

Primeiros obstáculos

Pesquisamos e compramos um peniquinho (troninho) bem fofo, achando que ela iria adorar. Na verdade, ela adorou, mas achou que era um brinquedo, afinal, muitos troninhos se parecem mesmo com um brinquedo. Essa foi a nossa primeira barreira, porque a Julia passou umas duas semanas brincando com o troninho como se fosse um brinquedo novo. No início, eu fiquei aliviada de não ter comprado um modelo mais caro.  Depois comecei a achar que o troninho fofo que eu tinha escolhido com tanto cuidado, iria mais atrapalhar do que ajudar. Dei um tempo, guardei por uns dias pra ela esquecer mais.

Depois de alguns dias, comecei a tirar a fralda só no período da tarde e depois fui deixando o dia inteiro de calcinha. Até aí, tudo correu bem e a Julia até que aceitou fazer xixi no troninho que ela tratava como um brinquedo, o problema foi quando veio o cocô. Ela ficou com nojinho e começou a rejeitar fortemente a ideia de fazer cocô no troninho. Quando a criança recusa o desfralde por algum motivo, geralmente ela começa  a prender as necessidades, o que pode levar à prisão de ventre e foi exatamente o que aconteceu.

Resolvi ter um pouco mais de paciência e para evitar que ela prendesse, passei a deixá-la de fralda no horário em que ela costumava fazer cocô para ela se sentir mais segura. A essa altura, o troninho ficou só para xixi. Depois dessas adaptações, a gente tinha feito bastante progresso, ela já conseguia segurar e avisar antes de fazer.

 

Apego emocional pelas fraldas

Como eu disse no post anterior, observar os sinais é importante, mas mesmo se a criança der todos os sinais, não quer dizer que a ela queira deixar de usar fraldas. Desde que a Julia nasceu, nós sempre fizemos as coisas de uma maneira muito divertida, conversando, cantando musiquinhas e fazendo brincadeiras. Na troca de fraldas, não foi diferente. Principalmente pela manhã, depois do banho e à noite antes de dormir, a troca de fralda era um momento especial e esperado por ela, quando a gente cantava, conversava e fazia muitas brincadeiras.

O que nós não tínhamos percebido é que ela tinha criando um apego emocional às fraldas, afinal, a troca passou a significar um momento positivo,  de convivência com a gente, em que ela se sentia segura. O que nós não percebemos é que os bebês criam apego aos rituais que criamos com eles e a Julia estava sentindo falta do ritual de trocar a fralda.

Quando estava de calcinha, ela pedia para colocar a fraldinha com um tom de cobrança. Por isso é tão importante se colocar no lugar da criança e entender que  ela cria uma dependência emocional com as fraldas. No caso da Julia, além de ser muito cômodo, porque ela não precisava parar de brincar para ir ao banheiro, ela gostava da hora da troca. Esse foi um desafio difícil, porque o desfralde precisava ser tão divertido pra ela quanto a troca de fraldas. Depois que tivemos essa percepção, fizemos os alguns ajustes e tudo começou a ficar mais tranquilo e menos estressante.

Voltando à estaca zero

O desfralde deve acontecer em um período tranquilo da vida da criança e foi o que nós procuramos fazer. Começamos quando a rotina estava bem tranquila e definida. Já havíamos feito muito progresso, mas como a vida é cheia de acontecimentos inesperados, passamos por momentos difíceis, quando o avô paterno da Julia foi hospitalizado e faleceu.

Todos nós fizemos o máximo para agir com tranquilidade, pois não sabíamos como uma criança de 3 anos reagiria a uma perda. Apesar de muito pequena, a Julia apresentou uma grande carência emocional depois de perceber a ausência do avô. Ela passou a fazer birra com muita frequência e mesmo já tendo aprendido a avisar quando queria fazer suas necessidades, os acidentes com xixi e cocô voltaram a acontecer. Resolvi então conversar com a pediatra sobre esse retrocesso repentino no desfralde e ela me aconselhou a dar um tempo e voltar para as fraldas sem culpa.

Durante a conversa, a pediatra me explicou que qualquer tipo de experiência negativa vivida pela criança no período de desfralde, pode retardar o processo. Ela recomendou que tivéssemos mais paciência e tranquilizou quanto isso. Não existe uma obrigação de a criança deixar a fralda até os 3 anos de idade e se algo atrapalhar esse desfralde, não há problema e reiniciar o processo quantas vezes forem necessárias, até a criança se sentir segura.

Seguimos então a recomendação da pediatra e recomeçamos o desfralde do zero. Dessa vez, desistimos de vez de usar o troninho, que passou a servir só de banquinho para escovar os dentes na pia. Compramos um redutor de assento que surtiu um efeito bem melhor.  A Julia passou a pedir para ir ao banheiro espontaneamente, sem que eu precisasse convidá-la o tempo todo. Dessa vez tudo funcionou maravilhosamente bem. Percebemos que ela ficou feliz em fazer as coisas como nós fazemos, afinal, criança aprende por imitação. Pensando do ponto de vista dela, não fazia sentido a gente usar o vaso sanitário e ela usar um peniquinho.

 

Desfralde noturno

O desfralde  diurno aos poucos foi ficando mais fácil e simples. Quanto ao desfralde noturno, não temos pressa, pois esse pode demorar mais. A fralda da noite pode ser necessária para algumas crianças até os 4 ou 5 anos. O que se pode fazer é observar e já iniciar o hábito de levar a criança ao banheiro antes de dormir e logo após acordar.

A Julia já acorda com a fralda enxuta praticamente todas as manhãs. Esse é o primeiro sinal que devemos observar, antes de arriscar tirar a fralda noturna. Como ela vai iniciar a escolinha e sei que ainda vem muita mudança pela frente, vou deixar para fazer o desfralde noturno quando a rotina já estiver bem estabelecida.

Espero que a nossa experiência tenha ajudado de alguma forma. Compartilhe nos cometários como foi ou está sendo o desfralde com o seu bebê!

 

Conclusão

Depois dessa experiência, o conselho que eu dou para as mães que ainda vão passar por essa fase, é evitar ao máximo criar expectativas para evitar ansiedade e estresse. Algumas crianças desfraldam em uma semana, outras em um mês ou mais. De qualquer forma, é cansativo, a gente tem que levar a criança inúmeras vezes ao banheiro durante o dia. Não adianta pirar, quanto mais ansiedade, pior fica o processo.

Li muitas histórias de mães que tiveram sucesso e conseguiram desfraldar seus filhos em uma semana, sem ansiedade e sem estresse. Acho todas essas histórias maravilhosas e sinceramente achei que seria assim com a gente, mas não foi. Tenho certeza que não foi falta de paciência nem falta de empatia, simplesmente, cada criança é única e cada família tem experiências diferentes. Nunca devemos nos culpar quando algo não sai como planejamos. Muitas mães que gritam aos quatro cantos do mundo que tudo na vida de mãe é maravilhoso, ou não passa o dia em casa com o filho, ou tem alguém para ajudar em casa com as tarefas domésticas, ou simplesmente são aquelas super mães saídas de um comercial de margarina.

Para quem cria seu filho sem nenhuma ajuda de parentes, creche, babá, diarista, ou seja lá o que for, as coisas podem ser mais difíceis. Durante  o processo de desfralde da Julia, muitas vezes terminei o dia com dor na lombar de tanto ajudá-la a sentar no sanitário pra fazer xixi. Tenho certeza de que se a nossa rotina estivesse mais tranquila, sem mudança e sem nenhum outro acontecimento fora do normal, tudo teria sido mais fácil. Mas aprendi a aceitar as situações como são e simplesmente tentar sobreviver a tudo da forma mais tranquila possível.

O meu último e mais importante conselho é NUNCA compare o seu filho com outras crianças e qualquer problema que surgir, a melhor pessoa para se aconselhar é o seu pediatra. Nunca se sinta diminuída ou culpada diante dos comentários de outras mães contando vantagem. Eu confesso que no início sofri um pouco vendo outras crianças da mesma idade da Julia ou até mais novas, com desfralde completo. Mas logo percebi que não faz diferença com que idade a criança deixa de usar fralda, isso absolutamente não vai prejudicá-la em nada, porque cada criança tem o seu tempo. O mais importante é respeitar esse tempo e agir tranquilamente, tratando a criança sempre com muito carinho e amor.

 Leia também: Quando iniciar o desfralde?

Deixe um comentário

Seja o Primeiro a Comentar!

Notify of
avatar
wpDiscuz