Precisamos cuidar de nós mesmas

Depois da maternidade a falta de tempo domina a nossa vida e priorizamos os nossos filhos, deixando de pensar em nós. Sem perceber, deixamos de pensar em nós mesmas  e até esquecemos em algum momento o amor próprio.
Às vezes adiamos o desafio de cuidar de nós mesmas porque não sabemos por onde começar. Afinal, a maternidade somada a todos os outros papéis que assumimos não nos deixa muito tempo livre pra pensar em nós, não é?

Durante esse processo eu me culpei, me frustrei e passei por várias fases de descobertas e autoconhecimento. Eu me culpava pelas dificuldades que passamos logo depois que a Julia nasceu, achava que tudo era consequência dos erros que eu supostamente tinha cometido. Então resolvi mudar tudo, eu queria ser outra pessoa, mudar de atitude, apagar aquela Tânia que deixou as coisas desandarem. Cortei o cabelo o mais curto que eu já tinha cortado na vida, pintei da cor que antes eu jamais pintaria. Coloquei o meu guarda-roupa abaixo e doei todas as peças que para mim, não faziam o estilo daquela pessoa que eu estava buscando dentro de mim.

Essa fase foi muito intensa, com muitos sentimentos contraditórios, descobertas, sensações que eu nunca tinha experimentado. A minha ansiedade chegou ao nível mais alto que eu já tinha experimentado e eu lutava pra mudar a minha vida, reprogramar a minha mente. Eu me entreguei a uma experiência de transformação, de desapego, me lancei ao desconhecido, sem pensar duas vezes.

Antes de ser mãe eu tinha cremes, estojo de manicure, maquiagem para todas as ocasiões. Virei mãe e tudo ficou por um tempo esquecido no canto, até o dia em que eu abri a caixa de maquiagem e descobri que tinha vários produtos fora da validade. Aquilo soou como um alerta pra mim e resolvi que era hora de eu voltar a me cuidar. Posso dizer que a nossa aparência é muito importante, mas por si só não tem o poder de mudar o nosso estado emocional, mas eu precisei passar por tudo isso para entender que eu teria que mergulhar mais fundo, se quisesse me conhecer realmente e me reencontrar.

Percebi que fazia muito tempo que eu não dava atenção a como eu me sentia de verdade e fazia muito tempo que o meu bem-estar não era realmente uma prioridade. Antes de ser mãe, o stress virou pra mim uma forma de vida, eu vivia tão preocupada com o que iria acontecer no futuro que deixava de lado o presente. Eu não me dava conta de que o presente é a única coisa que realmente temos e que o futuro ainda não aconteceu.

Entendi que temos que buscar tempo simplesmente para ser nós mesmas, fazer coisas que nos realizam, sem a obrigação de cumprir uma meta ou finalizar uma obrigação. Hoje tento não se me limitar a ver a vida passar sobrecarregada pelas tarefas que definem um futuro que ainda vai chegar. Antes eu exigia de mim mesma a perfeição, que depois eu descobri que não existe. Sei que ainda tenho um longo caminho de aprendizado pela frente, mas pelo menos agora eu já defini o rumo que quero tomar, não me sinto mais tão perdida.

Algo interessante me aconteceu recentemente. Mudei o visual de novo, dessa vez não foi bruscamente, eu não fiz nenhuma mudança radical. Há alguns meses eu desisti de ter o cabelo curtíssimo que eu tinha adotado no auge da minha crise de identidade (rsrsrs).  Agora pintei de novo da cor original, castanho natural, aí eu percebi que voltei a ter o mesmo visual que tinha há mais ou menos 3 anos e meio. Percebi que essa sou eu, a mesma de sempre, que não precisava mudar o cabelo ou o guarda-roupa para ser mais feliz. O que eu precisava era me desconstruir, para depois me reencontrar.

Depois de tudo isso, me sentir bonita, cuidar do cabelo, caprichar no look, enfim, fazer as pases com a minha imagem no espelho, passou a ter um outro significado. Eu estou começando a me cuidar mais por fora e por dentro, me sinto mais inteira, mais feliz e resolvida.

 

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