A importância do pai no desenvolvimento infantil

As relações entre pais e filhos, não importa a cultura ou a fase da vida, têm impactos que podem durar por toda a vida. A figura paterna pode ser representada pelos pais biológicos, padrastos, pais adotivos ou representantes legais e podem ser irmãos, tios, ou avôs. Estes pais podem ter relacionamentos com pessoas do mesmo sexo ou com pessoas do sexo oposto. Não importa se a paternidade seja biológica ou não, a figura masculina é importante para o desenvolvimento de uma criança. A rejeição ou indiferença paterna pode deixar mágoas e marcas profundas para uma criança, levando à insegurança, hostilidade e tendência à agressividade na vida adulta.

O papel do pai na sociedade tem se transformado muito e a maneira como os homens encaram a sua paternidade já mudou muito e continua mudando. Antes os filhos eram considerados como propriedade do pai, que exercia maior autoridade do que a mãe. O pai também sempre foi o suporte financeiro da maioria das famílias, até as mulheres começarem a conquistar o mercado de trabalho.

O papel do pai é importante para o desenvolvimento da criança e a interação entre pai e filho é um dos fatores decisivos para o desenvolvimento cognitivo e social. A criança que tem contato frequênte com o pai tem maior facilidade de aprendizagem e melhor integração na comunidade. O pai também é importante  para que a criança se torne mais independente da mãe, à medida que cresce. Ela começa a entender que tem que dividir a atenção dela com o pai, sem que isso represente um amaeaça.

 

A importância do pai

O  relatório “A Situação da Paternidade no Mundo” foi baseado em pesquisa em vários países e revelou muitos benefícios da participação dos homens na criação dos filhos.

 

  • A interação com os pais é importante para o desenvolvimento de habilidades sociais das crianças;
  • Ao compartilhar a responsabilidade pelo cuidado e trabalho doméstico, homens apóiam a participação das mulheres na força de trabalho e a igualdade das mulheres em geral;
  • O envolvimento na paternidade contribui para que os meninos aceitem a igualdade de gênero e para que as meninas alcancem autonomia e empoderamento;
  • Pesquisas demonstram que filhas de pais que compartilham tarefas domésticas são mais propensas a buscarem trabalhos menos tradicionais e com salários mais elevados;
  • Dados de estudos realizados em diversos países apontam que filhos de pais que se envolvem no trabalho doméstico são mais propensos a se envolverem no trabalho doméstico e no cuidado, quando adultos;
  • O envolvimento na paternidade torna os homens mais felizes e saudáveis. Os homens que estão envolvidos de maneira significativa com seus filhos afirmam que esta relação é uma de suas fontes de bem-estar e felicidade;
  • Estudos apontam que pais que possuem relações próximas e não-violentas com os filhos vivem mais, têm menos problemas de saúde mental ou física, são menos propensos a usarem drogas, são mais produtivos no trabalho, e afirmam serem mais felizes do que os pais que dizem não possuirem esta conexão com seus filhos;
  • Os índices de violência contra as crianças – por mães  e pais – foram menores em famílias onde a prestação de cuidados era mais bem dividida entre homens e mulheres.
  • Durante as primeiras semanas, quando a mãe e o bebê estão se adaptando um ao outro, a atitude do pai pode reduzir a ansiedade da mãe.

 

Ajuda da mãe

Nós falamos tanto de maternidade, que às vezes esquecemos de que os pais são tão importantes quanto as mães para o desenvolvimento saudável e equilibrado de uma criança. Pesquisas já indicam que as crianças que são cuidadas pelos pais, possuem a autoestima mais alta e menores riscos de desenvolver problemas psicológicos ao longo da vida. Muitos pesquisadores sugerem que um pai cuidadoso é tão importante quanto uma mãe amável para o bem-estar da criança. O senso comum diz que homens não “levam jeito” com criança e impede que os pais desenvolvam uma relação próxima com os filhos.

Hoje em dia, os pais estão mais participativos e compartilhando vários aspectos da vida de suas crianças. Mas muitos ainda não estão assumindo sua paternidade, ou por não desejarem ou por acreditarem que não são capazes. Por outro lado, há também muitas mulheres que não permitem que os homens participem dos cuidados com os filhos e de sua educação. Acredito que isso aconteça porque muitas mulheres são cobradas e julgadas pelas pessoas, que acreditam que a maternidade seja uma obrigação exclusivamente feminina.

Seguindo a lógica de que o homem e a mulher tiveram participação na concepção da criança, então os dois devem ter a mesma responsabilidade na criação dos filhos. A partir do momento em que o homem e a mulher forem vistos como parceiros do ponto de vista da igualdade de gênero, com direitos e obrigações iguais, o homem não será excluído das responsabilidades do lar. Porque a administração de tudo relativo à vida a dois, inclusive as tarefas domésticas e criação dos filhos,  deveria ser encarado como responsabilidade tanto do homem quanto da mulher. O homem não deve ajudar com os filhos e sim participar da criação deles, porque essa também é uma de suas obrigações.

Em defesa dos homens e pais, as mulheres precisam abrir mais espaço para que eles possam participar ( e não só ajudar) e exercer a sua paternidade mais plenamente. Para isso, as mulheres devem quebrar os seguintes tabus:

  • Dar mais espaço ao pai – permitir que o pai participe da rotina, assumindo tarefas, como ninar, alimentar, dar banho, passear, etc.
  • Conceder ao pai poder de decisão – O pai também tem direito de tomar decisões em relação ao filho, não só a mãe. Escolher a roupa do filho, decidir qual a alimentação mais adequada, escolher a escola, entre outras decisões, não precisam ser tarefa exclusiva da mãe.
  • Fazer acordos com relação à educação do filho – Decidir junto que tipo de educação e como a disciplina será aplicada ao filho, pode poupar os pais de muitos conflitos e evitar que apenas um fique sobrecarregado com a responsabilidade de educar a criança.
  • Confiar no pai – Confiar no homem é o primeiro passo para que ele assuma a sua paternidade e aprenda a exercê-la. Por menor que seja a experiência do homem com criança, ele só irá aprender se tiver a oportunidade de praticar.
  • Delegar as tarefas  ao pai- Pedir para o pai fazer alguma coisa pode ser a oportunidade que ele precisa para pegar o jeito.

Fonte:
Relatório A Situação da Paternidade no Mundo

Saiba mais: www.sowf.men-care.org

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