A verdadeira realidade de ser mãe

A pesquisa A Nova Mãe Brasileira, feita pelo Instituto Qualibest e pelo site Mulheres Incríveis, traçou o perfil das mães na atualidade. Foram ouvidas 1.317 mil mães, todas com mais de 18 anos – 81% delas com um ou dois filhos. A pesquisa revelou que dois terços das mães brasileiras consideram a rotina difícil, exaustiva ou impossível. Apenas 9% dizem se identificar com a imagem da mãe que aparece na mídia e 70% também afirmaram que se sentem julgadas ou cobradas.

Entre as mulheres entrevistadas, 40% disseram querer ajuda nas atividades domésticas. Isso significa que cuidar da casa pode ser mais exaustivo do que cuidar dos filhos. O desafio atual da mãe brasileira parece ser envolver o cônjuge e as crianças nas tarefas domésticas. As mães precisam de ajuda, rotina é muito cansativa e sempre foi para todas as mães que assumem várias responsabilidades. A diferença é que antes as mulheres carregavam o fardo sem reclamar, sofriam caladas e hoje elas falam sobre isso.

Segundo a psicóloga Elayne Nogueira, “a “supermãe”, ou seja, a que cuida dos filhos, do marido, da casa e ainda trabalha fora é o que há de mais valorizado em nossa sociedade, principalmente às vésperas do dia das mães”. Para Elayne, o papel da supermãe pode, muitas vezes, ser enxergado como uma obrigação materna e se configura como um pretexto para que as mulheres continuem assumindo sozinhas as obrigações domésticas e os cuidados com os filhos.

Os dados da pesquisa mostram que há uma grande distância entre o discurso da maternidade romantizada com a vida real enfrentada pelas mães. A mídia propaga a imagem de um modelo ideal de família e mães perfeitas, mas essa imagem é muito distante da realidade e traz conflitos para aquelas mães que sentem não se encaixar nesses modelos. Mas as mães não devem se encaixar em nenhum modelo ideal, simplesmente porque as pessoas são diferentes. Muitas mães, por vivenciar isso na pele, acabaram criando blogs, canais no youtube e portais para revelar a maternidade real, sem estereótipos ou romantizações.

Uma dessas mães é a publicitária Luciana Cattony, que decidiu criar o site Real Maternidade, segundo ela, para revelar os dois lados da maternidade, incluindo as dificuldades. A cineasta Helen Ramos, criou o canal Hel Mother, no YouTube.  A designer e ilustradora Thaiz Leão, resolveu fazer ilustrações sobre o tema na sua página Mãe Solo. A jornalista Cinthia Dalpino criou o Mãe at Work, uma plataforma de conteúdo dirigida a mulheres que depois da maternidade, vivem o dilema de conciliar o trabalho e a criação dos filhos. O que as iniciativas dessas e de outras mães têm em comum é encorajar mais mulheres a falar sobre suas dificuldades em relação à maternidade e isso está despertando reflexões e algumas polêmicas também.

Outro lado da maternidade também está vindo à tona, a solidão e o isolamento. A maioria das mães passa por um período de distanciamento e isolamento, que nem sempre é voluntário. Depois da gravidez e da euforia da chegada do bebê, o interesse da maioria das pessoas pela nova mãe e pelo bebê, acaba. As pessoas voltam para suas rotinas e a mãe é simplesmente esquecida e isolada socialmente. O mercado de trabalho se fecha e os amigos se afastam. As redes sociais estão atualmente cumprindo um importante papel de dar voz a essas mulheres.

Na minha vivência da maternidade, tive sorte que o meu esposo trabalhou em casa até nossa filha completar 9 meses. Mesmo assim, a ausência de outras pessoas fora do círculo familiar pesa. A maioria das pessoas não sabe dosar a sua presença no puepério, ou se afastam bruscamente (talvez com medo de virarem babás) ou se intrometem demais, tirando a sua privacidade. Ninguém nunca pergunta do que realmente precisamos, a que horas pode ligar ou visitar, ninguém faz mais convites para nenhuma ocasião social. Falta a cultura da empatia e da cortesia para com as novas mães.

O fato é que depois de anos de anulação feminina, as mães já se permitem compartilhar seus medos, dificuldades e angústias em relação à maternidade. Isso está trazendo à tona a questão de que a criação e educação dos filhos não deve ser confiado única e exclusivamente à mulher. Felizmente, a sociedade está começando a entender aos poucos que a mulher também tem direito de ansiar outros objetivos na vida, além da maternidade. Isso também pode ser muito benéfico para os filhos, que terão mães mais realizadas e mais felizes.

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