Alimentando com Amor e Respeito – 2º princípio da Criação com Apego

Este post faz parte da série Criação com Apego, onde eu apresento os princípios dessa filosofia e relato a nossa experiência, aplicando esses princípios na educação da nossa filha Julia.

A Criação com Apego tem 8 princípios. Nesse post eu falo sobre o segundo princípio, que é Alimentando com Amor e Respeito. Para ler os outros posts clique AQUI.

Os alimentos são fontes de nutrientes para a criança crescer saudável. Porém, há muito mais envolvido do ato de alimentar um filho. A hora da refeição pode ser uma ótima oportunidade de passar bons momentos em família e fortalecer o vínculo entre pais e filhos.

Desde que o bebê é recém nascido, já tem reflexos de sucção e de procurar o alimento, usando o choro para expressar as suas necessidades. A nossa sensibilidade e empatia ao choro do bebê, faz com que aprendamos a identificar as suas necessidades mais facilmente. Estar sempre disponível para atender as necessidades dos nossos filhos fortalece o nosso vínculo emocional e aumenta a confiança. Depois que a criança aprende a se comunicar através da fala, fica cada vez mais fácil identificar e atender as suas necessidades. Observar os sinais de que a criança está com fome e oferecer alimentos saudáveis, ensinado bons hábitos alimentares, pode fazer toda a diferença na hora das refeições, que deve ser um momento de prazer para toda a família. Abaixo está a descrição dos princípios da criação com apego para a alimentação.

Amamentação e Apego

A amamentação satisfaz as necessidades nutricionais e emocionais de seu filho, melhor do que qualquer outro método de alimentação infantil
Alimente assim que o bebê der sinais, ou seja, antes que ele comece a chorar
A amamentação continua a ser normal e importante tanto nutricional, imunologica e emocionalmente após um ano
A amamentação tem muitos benefícios para ambos, mãe e bebê
Amamentar é uma ferramenta valiosa para a mãe dar conforto ao bebê, de maneira natural
A “Mamada do Conforto” atende às necessidades de sucção do bebê

Alimentação com Mamadeira

A alimentação é uma das maneiras mais primitivas em que uma mãe pode iniciar um relacionamento de vínculo seguro com seu bebê
Familiarize-se com os comportamentos da amamentação, e simule-os quando estiver alimentando com mamadeira:
Segure o bebê quando estiver dando a mamadeira, posicionando-o próximo ao seio
Mantenha contato visual, fale calma e amorosamente
Troque de posição, de um lado para o outro
Alimente quando o bebê der sinais, e evite horários certos
Considere reservar a alimentação apenas pela mãe
Chupetas satisfazem a necessidade de sucção de um bebê. Segure o bebê ou a criança na posição de amamentação quando ele estiver usando chupeta
Associe o uso da mamadeira e da chupeta com o colo e atenção exclusiva ao bebê, para que não se tornem objetos de transição
Desmame da mamadeira como se fosse desmamar do peito

Desenvolvendo Através da Alimentação

Os pais podem se desenvolver enquanto alimentam o bebê
Mães afloram quando nutridas por seus parceiros
Os pais podem desenvolver um relacionamento com o bebê de muitas outras maneiras, além da amamentação

Introduzindo Sólidos

Introduza os sólidos quando sinais forem dados de que o bebê está pronto, e não com base em idade
Inicie aos poucos com os alimentos que não são propícios a causar alergias
Ofereça o seio ou mamadeira primeiro, depois os sólidos
Siga os sinais que o bebê dá sobre o que e quanto comer, deixe-o desenvolver seu paladar naturalmente
O leite materno ou artificial deve ser a principal fonte de nutrição, até aproximadamente 1 ano de idade
Desenvolvendo o Paladar para Alimentos Nutritivos

Desenvolva hábitos alimentares saudáveis

Tente fazer com que pelo menos uma refeição ao dia seja um momento de conexão e comunhão
Crianças precisam fazer pequenas refeições durante o dia, e não se deve esperar que elas sentem-se à mesa por longos períodos de tempo
Encoraje seu filho a seguir suas indicações corporais para fome e sede, para comer quando ele estiver com fome e parar quando estiver satisfeito
Forçar uma criança a comer, ou a comer certo alimento, é contraproducente e pode levar a hábitos alimentares não-saudáveis, e potencialmente a distúrbios alimentares
Evite o uso da comida como recompensa ou punição, ou fazer determinada comida (ou sobremesa) baseado no comportamento da criança
Ao invés de restringir o acesso a certos alimentos, considere ter apenas opções saudáveis na sua casa, e permitir que seu filho faça suas escolhas

Desmamando Gentilmente

O desmame inicia no momento que os alimentos sólidos são introduzidos
O alimento gradualmente toma o lugar do leite em termos de necessidade calórica, mas amamentar continua a atender muitas outras necessidades, como conforto e desenvolvimento
Se uma mãe precisar desmamar antes que o filho dê sinais de que está pronto, proceda gentilmente

Fonte:  http://www.attachmentparenting.org/portuguese/alimentando#sthash.VkUpuPWY.dpuf

A nossa experiência

Desde a gravidez eu já tinha a intenção de amamentar a Julia. Amamentar sempre foi muito importante para mim, por isso eu me propus a superar quaisquer dificuldades iniciais para poder oferecer isso à minha filha. Amamentei em livre demanda desde o primeiro dia e amamento até hoje. Ficou provado para mim que a amamentação é muito mais do que nutrir a criança, pois também é um momento de conforto para ambos, mãe e filho.

Nós não compramos mamadeira no enxoval da Julia, porque eu tinha a intenção e uma grande vontade de amamentar. Tínhamos em mente que se não fosse possível amamentar por qualquer motivo, nós optaríamos por outro método de alimentação, mas isso sempre foi um plano B para nós. Depois de superar as primeiras dificuldade (que existem e são normais) a amamentação mostra ser o método mais prático e prazeroso de alimentação. Uma grande vantagem é que por 6 meses eu não me preocupava em levar alimento para a Julia quando saíamos com ela. Além disso, mamar acalma a criança em muitas situações.

Antes de iniciar a alimentação sólida eu li muito a respeito, fizemos uma oficina de alimentação infantil e tiramos todas as dúvidas com a pediatra. A Julia já sentava  e demonstrava interesse em outros alimentos. Após 6 meses de amamentação exclusiva, começamos a oferecer os alimentos sólidos à Julia. Isso para nós foi um marco, que fizemos questão de ritualizar. Acordamos cedo, fomos ao supermercado comprar frutas, apresentados as frutas para a Julia e tiramos muitas fotos. Isso ficou marcado como um momento de alegria e prazer.

Como a criança está acostumada a se alimentar só com leite, é preciso paciência para introduzir outros alimentos. Não existe um tempo certo para fazer isso, a observação da criança é essencial, pois devemos respeitar o seu ritmo acima de tudo. Um ponto muito importante é enfatizar o prazer na refeição, evitando pressionar a criança a comer, fazendo da refeição uma obrigação.

Iniciamos com uma frutas e só depois que ela já estava bem acostumada, começamos a oferecer outros alimentos. Recebemos a orientação da pediatra de introduzir 4 refeições sólidas no período de um mês. Porém, na prática a introdução alimentar não é tão previsível. Percebemos que era necessário demorar mais em uma das etapas, ou mesmo retroceder, para que a adaptação fosse bem tranquila e respeitasse o tempo da Julia. Acabamos levando dois meses para chegar à meta de fazer 4 refeições sólidas diariamente.

É sempre importante respeitar os limites da criança. Nem sempre ela vai comer toda a comida do pratinho. Alguns dias ela come mais, outros menos e isso é totalmente normal.

Hábitos alimentares saudáveis

A alimentação durante a gravidez interfere diretamente no desenvolvimento do bebê, além de afetar o seu paladar no futuro. Já e provado que os bebês tendem a gostar dos alimentos que a mãe comia durante a gravidez. Sabendo disso, quando engravidei, procurei logo uma nutricionista para me acompanhar, o que fez toda a diferença. A minha gravidez foi saudável do início ao fim e a Julia até hoje nunca recusou nenhum alimento importante.

Cuidar da minha alimentação foi uma forma de o Elton participar de maneira bem ativa durante a gestação. Nós sempre comprávamos juntos os alimentos e ele sempre preparava refeições nutritivas para nós. Fazer as refeições juntos também nos fortalecia e nos unia cada vez mais. Era o momento de parar as atividades do dia, conversar e relaxar um pouco. Após o nascimento da Julia mantivemos o hábito de fazer juntos as refeições e muitas vezes eu comia enquanto a Julia mamava. Até hoje a hora das refeições é um momento especial que passamos juntos e é nessa hora que ajudamos a Julia a criar hábitos saudáveis de alimentação de uma forma prazerosa.

Desmame

O desmame inicia no momento que os alimentos sólidos são introduzidos. Porém, a amamentação pode e deve continuar como complemento, até dois anos de idade ou mais. Esse é o caso da Julia, que mama desde que nasceu e continua mamando até hoje, com mais de 2 anos. Não me preocupo muito em apressar o desmame total porque sei que a criança acaba sinalizando quando está preparada para isso. A Julia sempre foi muito comunicativa e sei que quando ela estiver pronta para parar de mamar, vai deixar isso bem claro, como fez com outras coisas. Gradualmente ela reduz as mamadas voluntariamente. Atualmente ela mama antes de dormir e de manhã cedo, quando acorda. A amamentação também tem sido muito importante para reduzir o stress em ocasiões como após tomar vacinas, durante as crises do nascimento dos dentes e em algum resfriado. Nessas situações eu sempre a deixei livre para mamar o quanto desejar, a qualquer hora do dia, afinal, além de alimentar e hidratar, mamar dá muito conforto à criança.

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6 Comentários em "Alimentando com Amor e Respeito – 2º princípio da Criação com Apego"

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soraia
Visitante

Tenho muita dificuldade de alimentar minha filha de 2 anos, ela não gosta de nada nem fruta nem verduras nada só macarrão e frango. Tem dia que fico desesperada ! Não sei mais o que fazer.’

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