Preparando para a Gestação, Nascimento e Criação – 1º princípio da Criação com Apego

Este post faz parte da série Criação com Apego, onde eu apresento os princípios dessa filosofia e relato a nossa experiência, aplicando esses princípios na educação da nossa filha Julia.

A Criação com Apego tem 8 princípios. Nesse post eu falo sobre o primeiro princípio, que é Preparando para a Gestação, Nascimento e Criação. Para ler os outros posts clique AQUI.

Esse princípio sugere que a gestação é uma oportunidade para os pais se prepararem física, mental e emocionalmente para a chegada do bebê.

Preparando para a Gestação e Nascimento

Reflita sobre experiências na infância e crenças atuais sobre paternidade
Explore filosofias de criação
Trabalhe nas emoções negativas sobre a gravidez
Prepare-se fisicamente para a gravidez; coma alimentos nutritivos, faça exercícios regularmente, evite stress sempre que possível
Explore tipos diferentes de planos de saúde e opções de parto. Considere ler “Ten Questions to Ask” e “Ten Steps” da Coalition for Improving Maternity Services, e também a Baby Friendly Initiative website da UNICEF
Reafirme o relacionamento forte e saudável com o seu parceiro(a)
Estude sobre a amamentação
Esteja alerta e fisicamente ativa durante o parto
Pesquisar todos os aspectos das “rotinas” para cuidados com o recém-nascido como banho, circuncisão, colírios, exames de sangue, coleta de sangue do cordão umbilical, etc. Registre as suas preferências e compartilhe-as com os profissionais de saúde que lhe assistirão
Prepare-se para ter uma ajuda extra nas primeiras semanas após o parto
Considere uma doula para o parto e/ou pós-parto
Esteja preparada para fazer as seguintes perguntas caso uma situação inesperada ocorra no parto ou com o recém-nascido:
Quais são os benefícios dessa intervenção, e o que os seus instintos estão lhe dizendo?
Quais são os riscos e possíveis resultados, caso eu escolha fazer isto, ou caso eu escolha que não?
Quais são as outras opções?
Quanto tempo tenho para tomar uma decisão?

Preparando para Tornarem-se Pais

Instrua-se continuamente sobre os estágios de desenvolvimento
Defina expectativas realistas para ambos os pais e o filho
Converse sobre as suas preocupações, antes que elas virem crises
Mantenha-se flexível!
Informe-se sobre as opções de ensino
Resolva quaisquer questões sobre a sua própria infância, procurando ajuda profissional se você foi negligenciado ou submetido a abusos

Fonte: http://www.attachmentparenting.org/portuguese/preparando

Criação com apego

A nossa experiência

Durante a gestação, inevitavelmente, passamos a refletir sobre essa nova fase da vida que está para se iniciar. É o momento em que nos perguntamos como queremos criar nosso próprio filho. Podemos reproduzir tudo o que nos foi ensinado, repetindo um padrão de educação  passado pelos nossos pais, ou optar por refletir sobre a nossa própria educação e avaliar os pontos positivos e negativos. Pensar sobre a nossa própria infância e como as experiências vividas influenciaram na nossa vida adulta, pode trazer à tona questões nunca antes exploradas. É importante que o casal converse bastante sobre essas questões, afinal, para criar e educar uma criança junto é preciso entrar em um acordo sobre como será essa educação. Essa fase também pode ser um período de autoconhecimento e amadurecimento, em que temos a oportunidade de rever nossos conceitos e mudar nossas atitudes.

Pensar sobre a própria infância requer que estejamos com a mente aberta e dispostos a avaliar a educação que recebemos com imparcialidade, lembrando que nossos pais certamente fizeram o melhor que podiam fazer. É preciso agir com bom senso e buscar equilíbrio na educação que pretendemos dar à criança. Não podemos negar totalmente a educação que recebemos, pois certamente tem pontos positivos a ser considerados. Porém, repetir exatamente a mesma educação que recebemos na criação de nossos filhos pode não ser a melhor escolha, já que algumas coisas praticadas pelos nossos pais têm se mostrado negativas, como no caso da punição física.

Durante a minha gravidez, eu o Elton fomos juntos para todas as consultas de pré-natal e ultrassonografias, o que ajudou muito a digerir a ideia de ser pais. Fizemos oficinas de gestante, cuidados com o bebê e workshop sobre alimentação infantil. Além de acompanhar cada estágio da gestação e aumentar o nosso conhecimento sobre tudo relativo ao parto e maternidade/paternidade, esses momentos nos fortaleceu e nos uniu ainda mais. O Elton me apoiou na decisão pelo parto normal, mesmo com a opinião contrária de algumas pessoas. Com a ajuda dele eu ignorei todos os comentários e palpites negativos sobre gravidez, parto e educação. Manter pensamento positivo e acreditar que todo o processo de gravidez e parto será tranquilo, ajuda muito a reduzir a ansiedade normal dessa fase. Procurei me afastar de pessoas que me causavam insegurança ou irritação.

Eu li tudo o que podia sobre filosofias de criação, parto e amamentação. Como o Elton estava trabalhando muito na época, eu sempre repassava para ele tudo o que eu lia. Quanto aos cuidados com o recém-nascido, além de ler a respeito, como eu já mencionei, nós fizemos oficina juntos de cuidados com o recém-nascido para nos preparar.  Uma dica que eu dou é fazer uma lista de coisas importantes para ler e providências a tomar antes do parto, para não esquecer nada. Eu também anotava todas as dúvidas para esclarecer nas consultas.

A minha gravidez foi tranquila, fui acompanhada por uma nutricionista e mantive hábitos saudáveis. Caminhei durante os nove meses, até a véspera do parto. Queria muito ter praticado alguma atividade aquática, já que eu gosto de nadar, mas fiquei com a pele muito sensível ao cloro da piscina. Sem dúvida, me manter ativa praticando uma atividade física regular fez toda a diferença na gravidez e no trabalho de parto, que foi apenas de 4 horas. Optei por parto normal hospitalar, porque era o mais acessível para nós. Estávamos conscientes de que se fosse realmente necessário, seríamos flexíveis quanto ao tipo de parto. Mas como a gravidez foi tranquila e sem nenhuma intercorrência, apesar de ter sofrido muita pressão do próprio obstetra para agendar uma cesariana, nos mantivemos firme na decisão pelo parto normal até o final.

Parto e pós-parto

Eu tive a sorte de estar com o Elton ao meu lado durante as contrações e no momento do nascimento da Julia.  O meu trabalho de parto foi muito rápido, mas muito intenso. O hospital não tinha um ambiente para parto humanizado, apenas uma sala pequena, onde me disseram para esperar deitada de lado, na cama. Claro que eu desobedeci e fiquei me movimentando, porque eu sabia que era melhor para a dilatação. Eu tinha pesquisado bastante sobre as posições que favorecem o trabalho de parto e dentro do possível, fiz a minha parte. Me mantive calma o tempo todo e conduzi somente com a ajuda do Elton, todo o processo. A minha dilatação foi tão rápida que nem deu tempo aplicar anestesia, o que eu achei ótimo.  Posso dizer que participei ativamente no meu trabalho de parto e essa foi a experiência mais incrível da minha vida.

Como eu tive parto hospitalar, enquanto eu estava na sala de parto após o nascimento da Julia, o Elton acompanhou de perto todos os procedimentos de limpeza, pesagem, etc. Após alguns minutos fomos para o quarto e ficamos os três juntos, pela primeira vez. Para mim foi inesquecível ver o Elton dando as boas vindas, cantando a música que ele sempre tocava para a Julia quando ela ainda estava na barriga. Naquele momento, percebi que já havia um vínculo entre o Elton e a Julia, porque ela olhou diretamente pra ele durante todo o tempo. Mais tarde, esse vínculo ficou bem evidente em vários momentos, principalmente nas crises de cólica que só o Elton conseguia abrandar com colo e música. Fico feliz que ele seja esse pai ativo e presente, que com certeza fará uma grande diferença na vida da a Julia.

Já o vínculo comigo é bem diferente, muito intenso. Afinal, ela passou 9 meses na minha barriga, passamos pelo o trabalho de parto juntas, compartilhamos alimentos, hormônios, emoções. Quando fomos para o quarto, a Julia mamou durante quase uma hora, até dormir nos meus braços. A partir daí, nenhuma de nós conseguia mais passar muito tempo longe uma da outra. Essa dependência emocional foi criticada por algumas pessoas, mas para mim, não tem nada de negativo. Não há nada de errado em uma mãe acolher seu bebê nos braços, dar calor e aconchego. Hoje, com pouco mais de 2 anos, ela continua muito apegada, mas cada vez mais declara a sua independência e se mostra muito determinada e segura. Hoje eu posso dizer com 100% de certeza que o apego só faz bem, tanto para a criança, quanto para os pais.

 

Para entender melhor a filosofia da Criação com Apego, leia este post: Como conheci a criação com apego

 

 

 

 

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