Como conheci a criação com apego – Introdução

Este post faz parte da série Criação com Apego, onde eu apresento os princípios dessa filosofia e relato a nossa experiência, aplicando esses princípios na educação da nossa filha Julia.

A Criação com Apego tem 8 princípios. Nesse post eu falo sobre como conheci a Criação com Apego. Para ler os outros posts clique AQUI.

Quando descobrimos que íamos ser pais, a nossa primeira reação foi a surpresa, seguida de alegria, expectativas e dúvidas, muitas dúvidas. Acho que nós não somos o primeiro casal a passar por isso, afinal, todos os dias mulheres tornam-se mães e homens tornam-se pais. Como todos os pais, desejamos criar nossa filha da melhor forma que nos for possível, pra que ela cresça feliz, tenha boa autoestima, seja responsável, educada e tolerante. Infelizmente não existe uma “fórmula”educar bem um filho, ao contrário, criar e educar um filho é um desafio diário. O que não faltam são conselhos, a maioria bem intencionado, mas grande parte desses conselhos são visões ultrapassadas de educação infantil, que são reproduzidas por gerações.

Quando a minha filha nasceu, um mundo novo se abriu pra mim, um mundo de aprendizado, descobertas, reflexão. Eu sempre falo aqui no blog que quando confirmei a minha gravidez, me tornei uma leitora ávida de livros e artigos sobre maternidade, levada pelo meu desejo e necessidade de descobrir como isso tudo funcionava. Eu tinha uma ânsia de ler tudo, para me preparar da melhor forma possível para ser mãe. Mas a tendência natural de quando a gente tem acesso a muita informação sobre um assunto, é aos poucos filtrar o que realmente terá utilidade na prática. Dentre todos os métodos educacionais que passei a conhecer, um deles me chamou atenção. Descobri o “Attachment Parenting” e percebi que a forma “primitiva” e intuitiva de lidar com as crianças tinha um nome. O termo API (Attachment Parenting International) é traduzido para o português como Criação com apego. Ainda na gravidez, li sobre o assunto pela primeira vez no blog Cientista que Virou Mãe, um texto muito esclarecedor, que recomendo. A partir daí, comecei a pesquisar mais para entender melhor. 

Em meados de 1950, o psicólogo, psiquiatra e psicanalista britânico John Bowlby  foi pioneiro no estudo da chamada teoria do apego, que propõe a criação de uma forte ligação afetiva entre o bebê e o(s) adulto(s) que cuida(m). Após a Segunda Guerra Mundial, John Bowlby, a convite da Organização das Nações Unidas (ONU), escreveu um panfleto sobre o assunto, o que o levou mais tarde a formular a teoria do apego. A partir de 1958, após documentos preliminares, Bowlby publicou um estudo completo em três volumes. No início Bowlby, recebeu muitas críticas, no entanto, a teoria do apego deu origem a muitas pesquisas, o que levou a muitas modificações. Quanto aos conceitos, estes tornaram-se aceitos e têm sido usados na formulação de políticas sociais e de amparo a crianças.

API (Attachment Parenting International) é uma organização sem fins lucrativos que tem como missão difundir a criação com apego ao redor do mundo. Dentro desta teoria é fundamental que os pais estejam emocionalmente disponíveis para criar o filho com um olhar mais sensível às suas necessidades, o que gera consequências positivas para o resto da vida da criança. O apego é considerado um sistema biológico e as crianças são naturalmente ligadas aos seus pais, não apenas para satisfazer seus desejos, mas porque eles são seres sociais,  sendo uma parte normal e saudável do desenvolvimento infantil. Os estudos apontam que algumas crianças que não tem cuidadores disponíveis e sensíveis, tornam-se vulneráveis ao desenvolvimento de distúrbios de apego. Há evidências de que o desenvolvimento dos sistemas neurológicos está ligado à qualidade dos cuidados que a criança recebe.

Existe muita desinformação e interpretações deturpadas sobre o assunto. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a Criação com Apego não faz com que a criança fique dependente e insegura. Pelo contrário, quanto mais uma criança receber atenção dos pais, mais segura e independente ela será, pois terá um desenvolvimento emocional saudável. Seguir os princípios da Criação com Apego também não significa que os pais devem satisfazer todas as vontades da criança, nem atender todos os seus desejos. As frustrações fazem parte da vida, mas precisam ser trabalhadas com amor e compreensão, para que a criança amadureça e compreenda que existem limites e que ela nem sempre terá tudo o que deseja. Aderir à criação com apego também não pressupõe que nós seremos pais perfeitos. Ao contrário, a consciência de que não somos perfeitos é que nos leva a querer melhorar a nossa conduta, para oferecer o melhor suporte psicológico e emocional possível para nossos filhos.

Um aspecto muito importante da Criação com Apego é a participação do homem e seu envolvimento, buscando criar laços afetivos com a criança, participando ativamente na criação do filho. Você poderá ler relatos emocionantes sobre a construção da paternidade no blog Paizinho, Vírgula! escrito pelo carioca Thiago Queiroz, líder do grupo de apoio para criação com apego API Rio, e educador parental certificado para disciplina positiva.

Na Criação com Apego não existe nenhum conjunto de regras a ser seguidas, porque as particularidades de cada família são respeitadas. O princípio básico é de que cada criança é única e deve ser respeitada e compreendida individualmente. Os princípios são definidos de maneira abrangente, podendo, se ajustar várias realidades familiares. São eles:

1 – Preparando para a Gestação, Nascimento e Criação

2 – Alimentando com Amor e Respeito

3 – Respondendo com Sensibilidade

4 – Usando o Contato Afetivo

5 – Garantindo um Sono Seguro, Física e Emocionalmente

6 – Provendo Cuidado Consistente e Amoroso

7 – Praticando a Disciplina Positiva

8 – Mantendo o Equilíbrio entre a Vida Pessoal e Familiar

Nessa série de posts falo um pouco sobre a nossa experiência tentando adequar os princípios acima na criação da Julia, desde a gestação. Espero que a nossa experiência possa contribuir positivamente para a sua experiência de maternidade/paternidade.

 

Fontes:

http://www.attachmentparenting.org/portuguese/preparando#sthash.sZEsLdtR.dpuf

https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_do_apego

 

 

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