10 dicas práticas para ajudar seu filho a comer melhor

Eu não sou especialista em nutrição infantil. Este post é baseado na minha experiência prática com a alimentação da minha filha Julia, seguindo orientações de profissionais da área.

Depois que a Julia completou 2 anos muita coisa mudou. Ela sempre se alimentou muito bem, às vezes eu até achava que ela comia demais. Eu achava que a fase de se recusar a comer nunca chegaria, mas eu estava enganada.

Nessa faze a criança só quer saber de brincar e passa a se desinteressar pela comida. Com tanta coisa para explorar, quem quer perder tanto tempo numa refeição? Além disso, comer sozinha é a grande novidade e pra quem não desenvolveu totalmente a coordenação motora, deve ser um pouco cansativo manusear a colher. Quando eu percebo que a Julia começa a se irritar, ofereço ajuda. Às vezes dá certo, às vezes não. Mas para mim, o teste de paciência é quando ela resolve fazer guerra de comida, aí eu tenho que respirar fundo. Faço o possível para dar liberdade para ela manusear e explorar os alimentos, apesar da sugeira que fica depois.

É um exercício contínuo de paciência e de interpretação, porque a gente tem que tentar entender o porque da recusa de alguns alimentos. Nem sempre é falta de apetite e sim seletividade, porque ela aceita muito bem alguns alimentos e recusa outros, que antes gostava muito. Talvez a simples descoberta de que ela pode escolher o que vai comer acaba desencadeando essa fase. Eu repito, é preciso ter paciência, muita paciência e repeito, afinal, comer ou não e o quanto come deve ser uma escolha da criança. Forçá-la a comer pode deixar a criança traumatizada e levar a distúrbios alimentares no futuro.

 

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Quanto mais diversificado e colorido o prato, mais nutritiva é a refeição.

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O que eu estou fazendo:

  1. Mantenho horários regulares das refeições e sempre ofereço alimentos saudáveis. Fazer as refeições sempre juntos em família também faz toda a diferença. Fazer a refeição sozinha em horário diferente do resto da família pode deixar a criança entediada e sem motivação.
  2. Como a maioria das crianças, a Julia recusa mais a alimentação salgada (almoço e janta). Às vezes ela come bem em um dia e no outro não quer quase nada. Eu tento  não me preocupar com o que ela deixou de comer num dia e compenso nos outros dias da semana.
  3. Evito dar muitos líquidos antes das refeições e quando ofereço, é algo nutritivo em quantidade moderada.
  4. Um ponto muito positivo é que a Julia não gosta de guloseimas, mesmo porque ela não foi acostumada. Mas depois que passou a comer alguns alimentos diferentes como laticínios, por exemplo, ela pede o tempo todo, mas eu explico que tem a hora certa para cada alimento e não abro mão disso. Ela também nunca recusa frutas e quer comer a qualquer hora, mas eu restrinjo para a hora da sobremesa e do lanche.
  5. Um dos alimentos que ela tem se recusado a comer ultimamente é arroz. Testei um misto de grãos com centeio, quinoa, trigo e arroz integral, mas ela não se interessou muito. Eu não a forço a comer, mas sempre coloco um pouco no prato, mesmo sabendo que ela vai deixar. Para suprir o carboidrato, estou colocando batata ou macarrão, e no lanche, acrescento aveia às frutas.
  6. Sempre procuro variar o cardápio, para que a refeição sempre tenha uma novidade. revezando alimentos que contém o mesmo valor nutricional e pertencem ao mesmo grupo, como: feijão, ervilha ou lentilha no grupo das leguminosas, arroz, batata ou quinoa no grupo dos carboidratos, etc. A refeição deve ser sempre equilibrada, contendo todos os grupos alimentares e quanto mais colorido o prato, melhor.
  7. Uma coisa que está funcionando muito bem é oferecer alguma entada. Ela gosta de petiscar antes do almoço, então eu dou algo saudável e nutritivos, que ajude a estimular o apetite, como palitinhos de cenoura ou tomate picado. Na hora do almoço, eu percebi que se eu colocar o prato cheiro, ela não se estimula muito a comer, mas se for servindo aos poucos, ela aceita melhor. Deixo os alimentos na mesa e pergunto o que ela quer colocar no prato. Só o fato de escolher se transformou numa novidade.
  8. Outra coisa que percebi foi que atualmente ela prefere usar o garfo ao invés da colher, afinal, ela quer fazer as coisas como nós fazemos. Escolhi um garfo pequeno com as pontas arredondadas para ela usar nas refeições. Depois que fiz a substituição ela está comendo bem melhor e até mais rápido, porque o garfo permite espetar os pedacinhos de comida, o que parece bem divertido para ela!
  9. Vario a maneira de preparar os alimentos para descobrir do que ela mais gosta. Por exemplo, como se recusava a comer cenoura, passei a oferecer crua, cortada em palitos finos e ela adorou. Assim fiz com outros alimentos: peixe e frango grelhados em vez de cozidos; batata gratinada em rodelas, etc.
  10. Observar a criança é essencial para perceber o que a motiva na hora das refeições. Cada criança tem suas particularidades e o que funciona para uma pode não funcionar para outra. É importante ter sensibilidade, empatia e muita paciência, tentando compreender cada fase e procurando soluções práticas para tornar esses momentos divertidos e prazerosos.

Essas dicas são o resultado das experiências do dia-a-dia, de várias tentativas e erros. Às vezes nada funciona e a criança não quer comer de jeito nenhum e a preocupação de mãe toma conta de nós. O melhor a fazer é relaxar, para não passar tensão para a criança, pois isso só vai traumatizá-la. Aqui a nossa experiência com a falta de apetite da Julia durou mais ou menos um mês, com altos e baixos. Com muita paciência conseguimos superar e ela voltou a se alimentar normalmente, como antes. Nunca é demais lembrar que a ajuda de um profissional de nutrição pode fazer uma grande diferença nessas horas!

Espero ter ajudado e desejo que você também passe por essa crise com tranquilidade. Conte aqui a sua experiência com seu filho, quem sabe você possa acrescentar outras dicas para essa lista!

Leia também: Alimentando com amor e respeito – 2º princípio da criação com apego

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2 Comentários em "10 dicas práticas para ajudar seu filho a comer melhor"

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AMANDA
Visitante

Ola! Onde você compra as ervilhas? Nao sei onde encontrar.

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