A desinformação pode levar ao fracasso da amamentação

Quando confirmei a minha gravidez e comecei a providenciar tudo o que precisava ser feito (marcar consulta, fazer lista de enxoval, etc), uma das coisas que mais me preocupava era a amamentação. Como a maioria das mulheres, eu sonhava em amamentar e tinha muito medo de não conseguir. Por isso eu perguntava, lia e pesquisava dia e noite sobre o assunto. Algumas pessoas contavam histórias horríveis sobre fracassos na amamentação, mas eu procurei ignorar e não me impressionar com essas histórias. Na verdade, muitas vezes me senti um pouco desamparada, por não conhecer nenhuma mulher experiente que já tivesse amamentado, que eu tivesse mais intimidade e confiança para conversar. Tudo o que me restava era uma consulta mensal de pré-natal e uma vasta literatura sobre o assunto para explorar. Como pesquisar é o meu forte, eu arregacei as mangas e comecei a ler bastante sobre amamentação.

Assim como eu, durante a gravidez muitas mulheres ficam perdidas sobre como se preparar para a maternidade. Existem tantas controvérsias e informações distorcidas em relação a esse assunto que acabam confundindo as futuras mães e muitas vezes, causando grande ansiedade. Poucas são as instituições de saúde que orientam de fato sobre as questões referentes à gestação, parto e amamentação e muitas mulheres vivenciam a experiência da maternidade desamparadas. Após o parto o desafio é maior, começa a cansativa rotina de ser mãe 24 horas por dia. A gente ouve as pessoas falarem que amamentar é prazeroso, mas ninguém avisa que no início pode ser um pouco sofrido. O prazer de amamentar, principalmente para mães de primeira viagem, pode só começar após alguns dias, depois de superar as primeiras dificuldades. No início, mesmo que o bebê esteja com a pega correta, pode haver alguma dor ou desconforto para a mulher, mas nada que não possa ser superado.

Acredito que é por não saber disso que muitas mulheres acabam desistindo de amamentar e concluindo precipitadamente que elas não são capazes de fazer isso. Porém, muitas mulheres estão cercadas por pessoas que defendem o uso da mamadeira desde os primeiros dias de vida do bebê e desencorajam a amamentação. Na fase do puerpério a mulher encontra-se fragilizada e muito suscetível à pressão de familiares e pessoas próximas, cedendo muitas vezes a apelos como “deixe de sofrer e dê logo a mamadeira”.

Para a amamentação dar certo, as mães deveriam ser melhor orientadas antes de o bebê nascer, a assumir uma postura mais ativa diante da sua maternidade, confiante na sua capacidade feminina de realizar o aleitamento. Isso criaria mulheres mais conscientes e evitaria que problemas simples se transformassem em verdadeiros transtornos. As mulheres devem esclarecer ao máximo todas as dúvidas possíveis relacionadas à amamentação logo que a gravidez for confirmada. Caso tenha algum problema, é importante, principalmente na fase inicial, recorrer à ajuda de profissionais para um acompanhamento, ao invés de ouvir opiniões de pessoas leigas. Isso pode fazer uma grande diferença e amenizar as angústias decorrentes dessa tarefa que deve ser tranquila e satisfatória para a mãe e bebê.

A maioria das mulheres desconhece o fato de que a produçaõ do leite materno vai se ajustando à demanda do bebê. Após um tempo as glândulas mamárias passam a produzir a quantidade que o bebê costuma mamar e o leite não vaza tanto quanto nos meses iniciais. Nessa fase os seios podem diminuir um pouco de tamanho, o que não significa que a produção de leite está diminuindo. Quando isso acontece é muito comum a mulher, por medo de que o seu leite não esteja sendo suficiente, introduzir fórmula infantil e outros alimentos na dieta de seu filho, sendo bastante comum que faça isso por conta própria, baseando-se em conselho de amigos ou familiares.

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O aleitamento materno também pode ser prejudicado pela falta de informação acerca de desenvolvimento infantil. Os bebês amamentados exclusivamente, geralmente são mais magros do que os bebês alimentados com fórmula infantil. Porém, isso não quer dizer que o bebê não engordou suficiente porque o leite da mãe é fraco, pelo contrário. O leite materno oferece nutrientes na medida certa para a criança. Quanto ao seu biotipo, isso depende de vários fatores como genética, alimentação da mãe durante a gravidez, entre outros. Uma criança filha de pais magros tende a ter o mesmo biotipo familiar. Mas é muito comum as pessoas colocarem todas as crianças  no mesmo patamar, fazendo comparações com relação ao seu desenvolvimento. O velho mito de que bebê gordinho é bebê saudável, por incrível que pareça, ainda prevalece, levando muitas mães a oferecer fórmula infantil para seus filhos, prejudicando a amamentação. Para complicar mais ainda a situação, muitos profissionais de saúde estão indo na contramão das recomendações da OMS e incentivando a introdução precoce de alimentos sólidos e fórmula infantil na dieta de bebês menores de 6 meses de idade.  Engrossar o leite com cereais infantis (mingau) na tentativa de que o bebê ganhe mais peso é também uma práticamuito comum e incentivada por parentes, amigos e por alguns pediatras (por incrível que pareça). Além do risco de levar à obesidade infantil, vicia a criança com o sabor doce desse alimento e esta passa a não aceitar mais o leite do peito.

O aleitamento materno não deve soar como uma obrigação e sim como um processo natural. Acredito que toda mãe quer o melhor para o seu bebê e não resta dúvida de que amamentar é a melhor decisão que uma mulher pode tomar em relação à alimentação do seu filho. Oferecer fórmula infantil para uma criança deveria ser o último caso, porém, qualquer pessoa pode comprar livremente o produto sem prescrição de um pediatra ou nutricionista, sem saber dos riscos que pode causar à saúde de um bebê. As mulheres deveriam ser informadas, por exemplo, que fórmula infantil aumenta o risco de doenças respiratórias, obesidade, contaminação, entre outros. Leia AQUI os riscos associados ao uso da fórmula infantil.

Algumas mulheres têm receio de não conseguir amamentar, de tanto ouvir relatos deturpados sobre o assunto, os conhecidos mitos sobre a amamentação. Por outro lado, algumas têm medo de prejudicar a estética corporal imposta pelos padrões de beleza divulgados pela mídia e consciente ou inconscientemente, arranjam uma desculpa convincente para não amamentar. Nesse caso, uma mulher saudável e em condições de amamentar não teria o direito de negar o enorme benefício do leite materno ao seu filho, porque não se trata só do seu corpo, mas também da saúde do seu filho. As mulheres precisam ser conscientizadas de que a sua decisão de não amamentar sem ter um motivo real que a impeça, pode  causar grande impacto no desenvolvimento de seu filho com consequências que podem afetar a sua vida adulta.

De qualquer forma, o que observo é que as mulheres têm pouco acesso à informações corretas sobre maternidade. São pressionadas de várias formas e cobradas a agir de um modo ou de outro e nesse processo, muitas vezes, a mulher deixa de ser protagonista da sua própria experiência de maternidade, deixando de tomar as suas próprias decisões e dar a última palavra, para agir de acordo com as expectativas de seu ciclo social. Acredito que todas as campanhas em prol do aleitamento materno deveriam ser direcionadas não só às mulheres, mas à sociedade como um todo. Afinal, o sucesso da amamentação não depende somente da mulher, mas dos profissionais de saúde, de seu companheiro, de seus familiares e de todas as pessoas com quem ela convive.

Saiba mais sobre amamentação aqui: Ação de apoio à amamentação

Conheça aqui os riscos relacionados à fórmula infantil: https://matrice.wordpress.com/lacto/bases-cientificas/riscos-de/

Leia mais sobre amamentação e desenvolvimento infantil: https://comunidadeams.wordpress.com/2012/01/11/crescimento-normal-do-bebe-amamentado-meu-bebe-nao-e-gordo/

 

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