Porque não dar suco ao bebê

Fiz uma oficina de alimentação infantil  para ficar informada das novas recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria. Cheguei um pouco atrasada, – afinal, que mãe não se atraza – porque estava amamentando e acabei perdendo uma parte muito importante que falava sobre porque não incluir sucos na dieta do bebê. Conversei com algumas mães, fiz algumas perguntas, mas não fiquei satisfeita, pois as opiniões eram muito divergentes até entre os pediatras, então resolvi pesquisar.

Quando o bebê está com 4 ou 5 meses as pessoas começam a incomodar com perguntas e palpites sobre a alimentação sólida. Um dos palpites que eu mais ouvi foi sobre os sucos. Principalmente as pessoas mais velhas orientam para dar um “suquinho” de laranja lima a partir de 4 meses. Na verdade, alguns pediatras também ainda fazem essa recomendação. Mas afinal, devemos dar ou não suco de fruta para o bebê?

As recomendações dos principais órgãos de saúde nacionais e internacionais* é de NÃO incluir suco na dieta do bebê antes de 1 ano de vida. Mas porque? Os sucos, principalmente se forem diluídos em água, não oferecem benefícios nutricionais para as criança. Mesmo se o suco for feito da fruta in natura, ao triturar a fruta, perde-se as fibras. A recomendação mais importante é em hipótese nenhuma se deve adoçar sucos e nenhum outro alimento da criança.

A fruta in natura deve ser oferecida em preferência ao suco.

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Quando Dar Sucos

Suco de fruta 100% natural pode ser dado à criança quando consumido como parte de uma dieta balanceada. O ideal é que seja oferecido depois das refeições, não excedendo a quantidade de 100ml. O suco deve ser oferecido ao bebê no copo e não na mamadeira.

O Que Não Fazer

Sucos de fruta artificiais ou de “caixinha” não são equivalentes ao suco de fruta natural e não são recomendados.

Sucos não devem ser dados em mamadeiras

Sucos não devem ser guardados ao longo do dia todo

Sucos não devem ser adoçados nem com açúcar nem com nenhum tipo de mel.

Não oferecer sucos na hora de dormir.

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As Desvantagens dos Sucos

Consumo excessivo de sucos pode estar associado com diarréia, flatulência, distensão abdominal e cárie dentária, além de subnutrição.

Sucos não pasteurizados podem conter bactérias (Escherichia coli, Salmonella eCryptosporidium), responsáveis por doenças.

O consumo de suco para crianças de 1 a 6 anos deve ser limitada a 120 a 180ml por dia e em crianças a partir de 7 anos, de 200 a 350 ml, ou 2 copos por dia.

Excesso de suco pode levar a anemia e malnutrição (com excesso de açúcares e falta de outros nutrientes, como proteínas, carboidratos e vitaminas)

O excesso de suco pode danificar o esmalte do dente, levando a cárie dentária, principalmente quando oferecida na mamadeira.

Excesso de suco pode provocar gases e diarréia.

O consumo de mais de 350ml de suco por dia está associado a baixa estatura e obesidade, e também foi associado a dificuldade de ganho de peso.

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A Minha Experiência

Antes de descobrir as desvantagens dos sucos, eu cheguei a oferecer à Julia sucos da fruta in natura sem açúcar e sem adição de água. Eu fazia suco apenas de frutas que já continham bastante água, como o melão, a melancia e a laranja, por exemplo. Eu costumava passar a fruta pura no mixer, ou no caso da laranja espremer. Mas eu sempre tomei o cuidado de esterilizar todos os recipientes que eram usados para fazer o suco. Quando a Julia tinha por volta de 10 meses, passei a dar 100ml depois do almoço, mas percebia que ela ficava com a barriguinha muito cheia e regurgitava mais, por isso parei de oferecer o suco por algum tempo. Tive que seguir a minha intuição de mãe. Se a pediatra não tivesse me ignorado e tivesse respondido à minha pergunta, eu não precisaria descobrir tudo sozinha.

Hoje a Julia está com 2 anos e 3 meses e adora suco. Sabendo das recomendações, faço o possível para dar de forma reduzida. Mas até hoje só ofereço após as refeições e sem adição de água nem de açúcar, apenas o suco puro da fruta in natura e feito na hora.

*Sociedade Brasileira de Pediatria, Academia Americana de Pediatria – EUA, Health – Canadá, National Health and Medical Research Council – Austrália, National Hearth Service – Reino Unido.