A Parte Mais Difícil de ser mãe

 

Quando se fala na parte mais difícil de ter um bebê, a maioria das pessoas pode imaginar que eu vou me referir às constantes trocas de fraldas, a alimentação, as noites mal dormidas ou a fase difícil do nascimento dos dentinhos. Nada disso. Na minha opinião esses são apenas aspectos do desenvolvimento normal de qualquer bebê, que exigem dedicação e paciência.

Eu quero falar na verdade  sobre a dificuldade que os pais, sobretudo as mães, têm para realizar atividades corriqueiras na cidade, como ir à padaria, ao supermercado, ou simplesmente fazer um pequeno passeio com seu filho e serem tratados com o devido respeito pelas pessoas. 

Quando eu estava grávida, embora muitas pessoas me tratassem com respeito e atenção, me deparei com várias situações onde as pessoas foram ríspidas, evidenciando desrespeito e até um certo incômodo pela minha condição. São muitas situações, desde desconhecidos tocar a sua barriga sem o seu consentimento, o que eu considero uma intimidade indesejada e forçada; comentários contrangedores sobre o seu corpo; esbarros na porta do elevador ou na porta giratória do banco; pessoas com cara feia quando o caixa atende primeiro a gestante, etc.

Depois que a Julia nasceu percebi que as situações da gravidez não eram nada, diante do que viria pela frente, pelo menos a gravidez só dura nove meses, rsrs. A primeira situação desagradável, porém a  mais branda que uma mãe de bebê passa é aquela de se sentir descartada por muitas pessoas… é hora de ouvir a famosa frase “já nasceu” e ouvir repetidas vezes “o que importa agora é o bebê” que é da mesma categoria de “agora a sua vida vai ficar difícil”, “você voltou a trabalhar ou SÓ está em casa com o bebê?”(só?). Acho que essa é só mais uma das situações da nossa sociedade machista, ideologia inclusive sustentada por muitas mulheres, mas essa é outra história.

Ultimamente tenho vivenciado episódios lamentáveis, como uma vez que fui ao supermercado e ao colocar a minha cestinha no balcão do caixa preferencial, veio uma senhora segundos depois e sem falar nada, tirou a minha cesta de compra do balcão, colocou no chão do supermercado e simplesmente ficou na minha frente na fila. Eu falei educadamente, porém em alto e bom som: “Com licença, senhora, essa cesta é  minha”. Nesse momento, todos em volta olharam para a senhora, mas ela não demonstrou nenhum constrangimento, nem sequer pediu desculpas e ficou atrás de mim com a cara emburrada.

Outra vez, no mesmo supermercado, entrei na fila preferencial com a Julia nos braços e simplesmente haviam três pessoas jovens e aparentemente sem nenhuma necessidade especial, na minha frente – pois era a menor fila. As mesmas só saíram da fila preferencial depois que a funcionária do supermercado pediu, ou melhor, ordenou que se respeitasse as prioridades.

Além desse tipo de situação, nós temos que lidar diariamente com a falta de acessibilidade, o que dificulta andar com o carrinho de bebê, assim como acontece com os cadeirantes. Além de calçadas inacessíveis com carros e motos estacionados indevidamente, ainda temos que lidar com as pessoas apressadas, que sem nenhuma sensibilidade, esbarram em você na rua, demonstrando uma total falta de respeito por quem é mais frágil.  Há ainda os motoristas que dirigem imprudentemente e totalmente apáticos, que param em cima da faixa de pedestres e parecem nem perceber que ali atravessa todo tipo de pessoa, incluindo gestantes, idosos e pais carregando os seus filhos, entre outros.

Para mim, cuidar da Julia o dia inteiro é uma tarefa infinitamente mais fácil do que simplesmente atravessar a rua com ela. Lamento muito que esse comportamento esteja tão entranhado na nossa população. Espero que quando nossos filhos forem adultos e tiverem que andar pela cidade com seus filhos, possam encontrar cidadãos mais conscientes e sensíveis às necessidades do próximo.

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